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domingo, 26 de junho de 2011

O amor que se deseja público

Por Mariana Toniatti

TEM HORA CERTA para se assumir homossexual? A sociedade caminha para o dia em que gays, lésbicas, bissexuais e travestis poderão exercer seu amor publicamente, como cidadãos que são.


Diferente dos héteros, que não precisam dizer nada sobre sua sexualidade porque ela já é presumida e aceita, os homossexuais precisam sair do armário para vivê-la plenamente. Essa saída começa no espaço mais íntimo, dentro de si mesmo, e vai se expandindo pelos espaços privados da casa, da família e dos amigos, e pelo espaço público do trabalho, da comunidade e da rua. O processo às vezes dura uma vida inteira, não é fácil, mas pode ser cada vez menos traumático.


Graças a esse movimento que leva mais gays, lésbicas, bissexuais e travestis a assumirem sua sexualidade, os direitos civis da população LGBT vêm sendo conquistados, mesmo que à força. Há retrocessos e conflitos que fazem parte da discussão de qualquer diversidade, seja sexual, étnica, racial ou religiosa, mas o futuro é da igualdade de direitos, como garante a Constituição. Caminhamos para o dia em que os casais homossexuais vão poder exercer o amor e suas relações em público, como hoje fazem os héteros. E isso não implica que todo mundo concorde, aprove ou entenda, mas que a sociedade aceite.

Com a XII Parada Pela Diversidade Sexual do Ceará prestes a tomar conta da avenida Beira Mar, o Vida & Arte Cultura coloca o assunto em pauta e convida ao debate. Tirar o assunto do armário é inevitável para pais, professores, legisladores, juristas, Igreja, para toda a sociedade.

Hoje é dia de Parada


Desde 1999, o Ceará tem sua Parada Pela Diversidade Sexual. Hoje, ela está entre as três maiores do país, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. No ano passado, de acordo com estimativa da Polícia Militar, 800 mil pessoas participaram da festa na avenida Beira Mar. Hoje, dia da décima segunda edição, espera-se outra multidão e quanto mais gente, melhor para o movimento LGBT. 

“Juntar milhares de pessoas festejando a diversidade sexual é o que faz o sucesso das paradas. A presença efetiva na rua tem um efeito tremendo no campo simbólico, tanto para o coletivo, no sentido da visibilidade, quanto individualmente. Ver que tanta gente compactua com sua identidade sexual, estar junto e dizer ‘não sou uma aberração’ tem um resultado brutal no campo subjetivo”, diz Leandro Colling, presidente da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura.

Enquanto alguns criticam o excesso de alegria, fantasia e liberdade, a maioria comemora a possibilidade de fazer política dessa maneira. Antes dos desfiles, do trio-elétrico e da música, há sempre um momento mais formal, uma fala sobre a pauta pela defesa dos direitos homossexuais daquela edição. Desta vez o tema é Unidos/as Somos mais Fortes, pela Aprovação do PLC 122/06 Já!, que pede a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia e tramita há anos no Congresso Federal. Durante a parada serão coletadas assinaturas para o abaixo-assinado nacional que pede por políticas públicas contra a homofobia. A concentração começa às 13 horas em frente ao Jardim Japonês.

Daniel Ribeiro, cineasta paulista que versa sobre a diversidade sexual em seus filmes, todo ano comparece à Parada da Diversidade de São Paulo, que reúne três milhões de pessoas. “Esse ano acho que os ânimos estão mais exaltados. Acho que o engajamento político da parada deve ser maior pela sequência de fatos. Teve o caso dos homossexuais espancados no começo do ano, conquistamos muita coisa, mas parece que voltou a ser aceitável ser homofóbico com figuras como (o deputado federal) Bolsonaro”, comenta. Durante a última semana a Prefeitura de São Paulo levantou mais uma polêmica ao divulgar um material que pedia para os participantes evitarem o uso de “fantasias mais ousadas”. De divulgação interna, o material dá ainda recomendações de segurança como andar sempre em grupo e evitar levar celulares.

A preocupação com a violência foi uma das razões para o cancelamento do show de encerramento da Parada Pela Diversidade Sexual de São Paulo, que aconteceria às 19 horas. Por aqui as mesmas precauções valem. Leve dinheiro no bolso, deixe o celular em casa, resista à tentação de fazer mil fotos durante a parada e se concentre em se divertir e em fazer coro à liberdade sexual e ao respeito! 

SERVIÇO

XII PARADA PELA DIVERSIDADE SEXUAL DO CEARÁ 13h:Concentração (em frente a Barraca do Joca)
15h: Abertura oficial com representantes do movimento LGBT e com a madrinha do evento, Alba Carvalho, professora doutora do curso de Sociologia na UFC e defensora dos direitos LGBTs desde a década de 80
15h30: Saída da Concentração
15h30 às 16h30: Hora da Militância LGBT
18h: Minuto de silêncio e de protesto contra a homofobia
22h: Encerramento no Aterro da Praia de Iracema

Mariana Toniatti
marianatoniatti@opovo.com.br
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