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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Desespero: Grávida anda 18 km de barco e esposo corre ainda 3 para buscar atendimento em Choró


Por Jonathas Oliveira
Por falta de comunicação mulher quase da à luz as margens do açude de Choró.
A saúde pública do município de Choró, no Sertão Central cearense, tem passado por momentos de dificuldades, causando sérios prejuízos a população. A agricultora, Francisca Cristina Gomes do Nascimento, 40 anos da localidade de Boa Vista, a 18 km de Choró passou por momento de dificuldades e sufoco, é o que denuncia o seu esposo, João Batista Tomaz de Lima, 28 anos. Segundo o pescador resolveu tornar o caso público por que se disse indignado com a falta de atendimento. Por volta da 21h00min da última quarta, 1, sua mulher grávida, começou a sentir fortes dores, ali começava uma noite de desespero e pedido de socorro.

De imediato foi tentado um contato por telefone com o hospital de Choró para acionar a ambulância, foram várias horas de ligações sem resultado, o tempo passando e o esposo aflito vendo que não conseguiria o contato com hospital, resolveu pedir ajuda a um dono de barco conhecido na região como Kleber, o transporte foi feito de barco. De acordo com João Batista, a gestante ainda fez um percurso a pé de sua residência para chegar ao porto, foram aproximadamente 40 minutos de barco até o porto da cidade. Ao chegar à beira do açude a gestante ainda reclamando de fortes dores, sofrendo, e o esposo aflito, novamente tentou outro contato já que uma hora daquela era impossível um veículo circulando nas proximidades do açude para transportar à paciente. Já se passavam da meia-noite.
No hospital como não existe uma linha fixa de telefone em suas instalações o contato era tentado pelo orelhão que fica na calçada da unidade de saúde, sem conseguir se comunicar, desesperado, João Batista resolveu fazer um percurso de aproximadamente 3 km a pé, correndo do porto até o hospital Padre José Bezerra Filho, o pescador ainda relatou que ao chegar na Avenida Nossa Senhora de Fátima, cães que estavam na rua ainda correram atrás dele, conseguindo espantar os cachorros continuou correndo com destino ao hospital, ao chegar na unidade de saúde quase sem fôlego, o pescador conseguiu acionar a ambulância que se deslocou as margens do açude onde a mulher esperava por socorro.
Ao perguntar por que não conseguiu falar com ninguém logo veio à resposta de um funcionário, “o orelhão está quebrado”. A mulher foi conduzida para o hospital onde recebeu os primeiros atendimentos e o médico diagnosticou gravidez de risco, de acordo com informações colhidas no hospital, e logo foi transferida à Quixadá. Segundo João Batista a mulher e o filho passam bem e se não tivesse sido a coragem e a determinação do pescador o pior teria acontecido. Em entrevista a rádio Pioneira de Choró, indignado e emocionado, o pescador deixou a seguinte pergunta, “quanto custa o valor de uma vida?”. Porém, João Batista ainda afirmou que estava se recuperando de uma cirurgia que ele fez a menos de um mês.
Em entrevista ao portal Revista Central, o secretário de saúde, Bianor Bernardino Silva, explicou não ter tido conhecimento do caso, mais sabia que o orelhão que fica na calçada do hospital estava quebrado, disse que ele mesmo ligou pra OI para o conserto do aparelho, porém, o secretário ainda afirmou que por questões burocráticas um aparelho fixo ainda não teria sido instalado no hospital Padre José Bezerra Filho, mas se comprometeu de colocar um número celular a disposição dos usuários da saúde pública de Choró. À tarde a reportagem do portal Revista Central se deparou com a chegada dos técnicos da OI que consertaram o orelhão o único meio de comunicação da população com o hospital.
O que chama a atenção é que em um hospital não há sequer uma linha de telefone fixo dentro da unidade com atendente, mostra assim o descaso com a vida das pessoas. Sobre a burocrácia é mais uma balela de pessoas que não tem compromisso com a população.
Retrospectiva
 No ano de 2009 um caso ainda pior resultou em um óbito, e deixou indignada a população do pequeno município de Choró, quando o agricultor Antônio Audênio Simão da Silva de Fonte Nova, comunidade rural do distrito de Caiçarinha foi obrigado a realizar o parto da própria mulher Lucilene Pereira da Silva, as margens da CE-456, em plena madrugada do último dia 25 de maio de 2009. O pai disse que não teve outra alternativa, uma vez que a mãe estava prestes a dar a luz.
Ele contou que esperaram mais de seis horas pela ambulância que não apareceu na comunidade. Então, o jeito foi fazer o parto ali mesmo, na margem da rodovia. Nem ele sabe ao certo como fez.
Com o auxílio de uma moradora da região conseguiu cortar o cordão umbilical do filho com uma tesourinha. Após o parto, retornaram para casa. Pediram o auxílio hospitalar novamente e, mais uma vez, não foram atendidos. Luciano Pereira Simão, nome que recebeu o bebê, morreu 20 horas depois, por falta de assistência médica, segundo denunciou o casal de agricultores.
Jonathas Oliveira
Correspondente em Choró
(88) 9418-0369/9454-0003


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