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quarta-feira, 18 de maio de 2011

“Sem que nem pra que”

SinceraMente
Por Fagne Alexandre


Inúmeras são as questões que se encontram por trás da diversidade cultural


Caríssimos(as),
Trago hoje, em tom ameno, uma questão profunda, não pelo sentido dela própria, tão pouco pela minha capacidade, que reconhecidamente é limitada, mas diante do embaraço posto, digo que não é fácil convencer alguém sem palavras claras. Nascida do latim vulgar, exaltada nos versos de Luís de Camões, “oblíqua e dissimulada” na obra machadiana, reinventada e reverenciada diariamente, jamais poderia acreditar que fosse desrespeitada por quem se julga dominante no posto de servo.


Casualmente fui jogado em meio a palavras cruzadas, mas disto não resultou o que agora expresso, contudo me fez perceber a importância de uma Língua capaz de transmitir o sentimento de quem por ela se comunica. Um breve diálogo transmitia, simultaneamente, questionamento, preocupação, resistência, etc., porque, aparentemente, a história cultural não mereceria respeito dos usuários da Língua Materna.

Inúmeras são as questões que se encontram por trás da diversidade cultural, como são também numerosas as que buscam reduzir as distâncias existentes nesta área, mas se compreendermos a importância da linguagem para reflexão perceberemos o seu significado na vida diária. A leitura de “Vidas Secas”, de G. Ramos, relata muito mais que a seca nordestina; Fabiano, o homem que pouco fala, está no meio de nós, limitado na linguagem, limitado na seca, limitado na política, limitado na vida.

Se um belo discurso ilude a muitos é hora de repensar o belo, não por que a beleza seja condenável, talvez o belo não seja mesmo belo, então a ilusão não nasce da beleza, mas da falta de discernimento entre o belo e o ilusório. É provável que o discurso não seja assim tão complexo, mas que a própria limitação em compreendê-lo seja aquilo que nos faz julgá-lo distante. A beleza pode nascer do acaso, mas exige para si dedicação e vigilância, em troca oferece conforto, destaque, contudo é necessário não confundi-la com a aparência sua.

Não imagino uma bela “Morte e Vida Severina” sem a poesia que dela nasce, assim como a beleza da vitória de alguém que se supera não se encontra na própria vitória, mas essencialmente em sua superação, ainda que a maioria acredite que bela é a vitória. Um grande poeta nasce em qualquer classe social, mas é inegável que o desconhecimento de uma cultura transmitida graficamente torna mais limitada, se não a capacidade poética, a capacidade de referências deste campo.

A diversidade linguística é uma riqueza imensurável, inclusive cria obras muito respeitadas, como por exemplo, “Grande sertão veredas”, de Guimarães Rosa, mas pode ser confundida com a aceitação do erro, tão pouco justificar o atraso cultural, porque está geograficamente em um mesmo espaço e usar uma variação linguística diferente não pode ser aceito tão somente como tal. A diversidade existe, porém exige muito mais que a simples denominação.

A compreensão do mundo passa pelo conhecimento de uma língua, ainda que outras formas possam ser usadas, sem a Língua é imperceptível o que se conhece ou desconhece do mundo. Talvez, compreender bem a Língua seja uma forma de ver melhor o mundo.



Fagne Alexandre
Graduado em letras pela UECE/FECLESC
Ex-Professor da Escola Cônego
Funcionário de empresa de economia mista

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