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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

“Não Me Deixes”: Há 100 anos nascia Rachel de Queiroz


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Rachel de Queiroz - (Fortaleza, 17 de novembro de 1910 — Rio de Janeiro, 4 de novembro de 2003) foi uma tradutora, romancista, escritora, jornalista e importante dramaturga brasileira. E uma quixadaense por afinidade.
Autora de destaque na ficção social nordestina. Foi primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Em 1993, foi à primeira mulher galardoada com o Prêmio Camões, equivalente ao Nobel, na língua portuguesa. É considerada por muitos como a maior escritora brasileira.
Rachel de Queiroz era filha de Daniel de Queiroz Lima e Clotilde Franklin de Queiroz, descendente pelo lado materno da família de José de Alencar. Em 1917, após uma grande seca, muda-se com seus pais para o Rio de Janeiro e logo depois para Belém do Pará. Retornou para Fortaleza dois anos depois. Em 1925, aos 15 anos de idade, se formou professora. Em 1927, com o pseudônimo de “Rita de Queluz” começa a escrever cartas para o jornal “O Ceará”. O diretor do jornal Júlio Ibiapina, amigo de seu pai, Daniel de Queiroz, a convidou a colaborar no jornal. Rachel de Queiroz foi escolhida a “Rainha dos Estudantes”, premiação que ela mesma questionava.
Aos vinte anos, em 1930, esteve de repouso para tratar de um problema pulmonar, ficou nacionalmente conhecida ao publicar O Quinze (1930), romance que mostra a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria. Demonstrando preocupação com questão social e hábil na análise psicológica de seus personagens, tem papel de destaque no desenvolvimento do romance nordestino.
Seus pais patrocinaram a primeira edição do livro, perante o sucesso local a autora enviou o livro para o Rio de Janeiro e São Paulo, recebendo o elogio de Mário de Andrade. Em 1932, casa-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira.
Começa a se interessar em política social em 1928-1929 ao ingressar no que restava do Bloco Operário Camponês em Fortaleza, formando o primeiro núcleo do Partido Comunista. Em 1933 começa a ter dissensões com a direção e se aproxima de Lívio Xavier e de seu grupo em São Paulo, indo morar nesta cidade até 1934. Milita então com Aristides Lobo, Plínio Mello, Mário Pedrosa, Lívio Xavier, se filiando ao sindicato dos professores de ensino livre, controlado naquele tempo pelos trotskistas.
Nesta época o seu segundo romance “João Miguel” foi vetado pelo Partido Comunista, à escritora rompeu com o partido e lançou a obra pela editora Schmidt, no Rio de Janeiro.
Em 1937, lançou “Caminho de Pedras”, pela editora José Olympio que a editaria até 1992. Durante o Estado Novo, seus livros foram queimados e a escritora é detida por três meses no quartel do Corpo de Bombeiros de Fortaleza. Em 1964 apoiou a ditadura militar que se instalou no Brasil.
Em 1939, divorcia-se de seu marido, lança o romance “As Três Marias” e em 1940 conhece o médico Oyama de Macedo, com quem vive até 1982. Torna-se cronista exclusiva da revista “O Cruzeiro” deixando de escrever para jornais.
Lançou Dôra, Doralina em 1975, e depois Memorial de Maria Moura (1992), saga de uma cangaceira nordestina adaptada para a televisão em 1994 numa minissérie apresentada pela Rede Globo. Exibida entre maio e junho de 1994 no Brasil, foi apresentada em Angola, Bolívia, Canadá, Guatemala, Indonésia, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela, sendo lançada em DVD em 2004.
Publicou um volume de memórias em 1998. Transforma a sua "Fazenda Não Me Deixes", propriedade localizada em Quixadá, no Sertão Central cearense, em reserva particular do patrimônio natural. Morreu em 4 de novembro de 2003, vítima de problemas cardíacos, no seu apartamento no Rio de Janeiro, dias antes de completar 93 anos.
Academia Brasileira de Letras
Sua eleição, em 4 de novembro de 1977 para a cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras, causou certo frisson nas feministas de então. Mas a reação da escritora ao movimento foi bastante sóbrio. Numa entrevista, em meio ao grande furor que sua nomeação causou, declarou: Eu não entrei para a Academia por ser mulher. Entrei, porque, independentemente disso, tenho uma obra. Tenho amigos queridos aqui dentro. Quase todos os meus amigos são homens, eu não confio muito nas mulheres. Um verdadeiro choque anafilático no movimento feminista. Recebida por Adonias Filho, foi a quinta ocupante da cadeira 5, que tem como patrono Bernardo Guimarães.
Prêmios outorgados (os principais)
    * Prêmio Fundação Graça Aranha para O quinze, 1930
    * Prêmio Sociedade Felipe d' Oliveira para As Três Marias, 1939
    * Prêmio Saci, de O Estado de São Paulo, para Lampião, 1954
    * Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de obra, 1957
    * Prêmio Teatro, do Instituto Nacional do Livro, e Prêmio Roberto Gomes, da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, para A beata Maria do Egito, 1959
    * Prêmio Jabuti de Literatura Infantil, da Câmara Brasileira do Livro (São Paulo), para O menino mágico, 1969
    * Prêmio Nacional de Literatura de Brasília para conjunto de obra em 1980
    * Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, em 1981
    * Medalha Marechal Mascarenhas de Morais, em solenidade realizada no Clube Militar, em 1983
    * Medalha Rio Branco, do Itamarati, 1985;
    * Medalha do Mérito Militar no grau de Grande Comendador, 1986
    * Medalha da Inconfidência do Governo de Minas Gerais, 1989
    * Prêmio Camões, o maior da Língua Portuguesa, 1993, sendo a primeira mulher a recebê-lo
    * Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual do Ceará - UECE, 1993
    * Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, de Sobral, em 1995
    * Prêmio Moinho Santista de Literatura, 1996, dentre outros inúmeros prêmios e títulos
    * Título Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2000
    * Medalha Boticário Ferreira, da Câmara Municipal de Fortaleza, 2001.
    * Troféu Cidade de Camocim em 20 de Julho de 2001 - Academia Camocinense de Letras e Prefeitura Municipal de Camocim

Obras (Principais)

    * O quinze, romance 1930, tradução francesa com o título "L'année de la grande sécheresse",Stock,Paris,1986,ISBN 2-234-01933-8
    * João Miguel, romance (1932)
    * Caminho de pedras, romance (1937)
    * As Três Marias, romance (1939)
    * A donzela e a moura torta, crônicas (1948)
    * O galo de ouro, romance (folhetins na revista O Cruzeiro, 1950)
    * Lampião - peça de teatro (1953)
    * A beata Maria do Egito- peça de teatro (1958)
    * Lampião; A Beata Maria do Egito (livro-2005)
    * Cem crônicas escolhidas (1958)
    * O brasileiro perplexo, crônicas (1964)
    * O caçador de tatu, crônicas (1967)
    * Um Alpendre, uma rede, um açude - 100 crônicas escolhidas
    * O homem e o tempo - 74 crônicas escolhidas
    * O menino mágico, infanto-juvenil (1969)
    * Dora, Doralina, romance (1975)
    * As menininhas e outras crônicas (1976)
    * O jogador de sinuca e mais historinhas (1980)
    * Cafute e Pena-de-Prata, infanto-juvenil (1986)
    * Memorial de Maria Moura, romance (1992)
    * Teatro, teatro (1995)
    * Nosso Ceará, relato, (1997) (em parceria com a irmã Maria Luiza de Queiroz Salek)
    * Tantos Anos, autobiografia (1998) (com a irmã Maria Luiza de Queiroz Salek)
    * Não me deixes: suas histórias e sua cozinha, memórias gastronômicas (2000) (com Maria Luiza de Queiroz Salek)
Reunidas de ficção

    * Três romances (1948)
    * Quatro romances (1960)
    * Seleta, seleção de Paulo Rónai; notas e estudos de Renato Cordeiro Gomes (1973)

No dia 4 de dezembro de 2003, um mês depois de sua morte, foi lançado na Academia Brasileira de Letras o livro Rachel de Queiroz, um perfil biográfico da escritora, fruto de uma longa pesquisa realizada pela jornalista Socorro Acioli, publicado pelas Edições Demócrito Rocha.

Sua biografia foi narrada no livro No Alpendre com Rachel, de autoria de José Luís Lira, lançado na Academia Brasileira de Letras em 10 de julho de 2003, poucos meses antes do falecimento da escritora.
* Texto adaptado e com informações dos site da Iinfoescola e wikipedia.

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