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domingo, 21 de novembro de 2010

Escritor quixadaense Moacir C. Lopes, morre no Rio de Janeiro aos 83 anos


Moacir é autor, entre tantos romances de sucesso, de A Ostra e o Vento, livro adaptado para o cinema nacional por Valter Lima Jr.
A Assessoria de imprensa informou a redação do portal Revista Central, o falecimento na manhã deste domingo,21, do renomado escritor e filho natural da Terra dos Monólitos, Moacir Costa Lopes. O escritor morreu no Rio de Janeiro aos 83 anos de idade, a causa da morte foi em consequência de um câncer. A Revista Central dias atrás havia agendado uma entrevista com o escritor, porém, em decorrência do problema acontecido com o nosso antigo layout tivemos que desmarcar e havíamos combinado de remarcar.
Uma breve discrição do escritor
 Moacir Costa Lopes nasceu em Quixadá, Ceará, a 11 de junho de 1927, filho de Delmiro Lopes da Costa e Odete Oliveira Costa. Perdeu o pai aos 2 anos de idade e a mãe aos 11. Fez seus estudos em Quixadá, Baturité, Fortaleza, posteriormente no Rio de Janeiro. Optou por não concluir estudos regulares, para se dedicar inteiramente à literatura, criando seu próprio método de criação literária, do que resultou seu livro de ensaio/didático Guia prático de criação literária, editado em 2001, pela Quartet Editora. Desde criança, leitor compulsivo de Literatura de Cordel e de folhetins literários que chegavam a Quixadá.
Por sofrer constantes maus tratos do tio, com quem foi morar com os irmãos Mário e Maria de Lourdes, foge de casa, em 1942, seguindo para Maranguape, passa a trabalhar e morar numa estalagem, onde faz poesia e escreve cartas por encomenda, a dinheiro, para mercadores em trânsito. Localizado pelo tio, regressa a Fortaleza e ingressa na Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará em dezembro de 1942.
Já como marinheiro, em plena Segunda Guerra Mundial, viaja para a Base Naval de Natal, de lá para Recife, embarcando no encouraçado São Paulo, vindo depois para o Rio de Janeiro. Embarca em vários navios, em missões de comboios e patrulhamentos navais, especializando-se em tática anti-submarina e radar. Viaja por toda a costa brasileira e outros países, como Uruguai, Paraguai, Argentina, Trinidad-Tobago, República Dominicana, Cuba, Estados Unidos, sobe o rio Amazonas, o rio Paraguai, o rio Mississipi, conhece muitas ilhas, duas das quais, o Atol das Rocas e a Ilha das Trindade, o inspirarão no tema de dois de seus futuros romances.
Enquanto embarcado, além de praticar esportes como box e basquetebol, escreve poesias diariamente e entusiasma-se pela literatura, passa a ler em viagem as primeiras obras de ficção, começando pelos clássicos franceses, depois russos, portugueses, ingleses, e por fim os brasileiros antigos e contemporâneos, além de estudos críticos, filosofia, e antropologia e obras de cultura geral. E os poetas. Em todos os navios em que servia criava uma biblioteca com doações de livros pelos colegas. Com intervalos, nos portos, para viver as aventuras comuns de marinheiro e conviver com os mais variados tipos humanos. 

Escreve, em 1944, um romance, que não chega a concluir. Viajando a Porto Alegre, procura Érico Veríssimo; na cidade de Natal, em 1946, procura Luís da Câmara Cascudo, que, ouvindo seus planos literários, lhe sugere escrever sobre a vida dos marinheiros. Começa a escrever, em 1949, a bordo do contratorpedeiro Baependi, onde trabalha na secretaria como datilógrafo, o romance Maria de cada porto, com o qual vem a estrear em dezembro de 1959. 

Residindo no Rio de Janeiro desde 1944, passa a colaborar no jornal Humaitá, da Associação dos Marinheiros, com poemas e crônicas, jornal embargado em 1949, e definitivamente fechado em 1964. Mesmo sendo os marinheiros proibidos de estudar, por ordem do então Ministro da Marinha, estudou música no Liceu de Artes e Ofícios, por pretender ser também violinista, e fez o curso completo de Inglês, no Westminster English Course, e a extensão de outros cursos de humanidades. Dá baixa da Marinha de Guerra em novembro de 1950, por conclusão do tempo de serviço. 

Passa a trabalhar no comércio, inicialmente como datilógrafo, depois como gerente de compras, gerente de vendas, professor de vendas e de Relações Públicas, fez traduções de obras de alguns autores do idioma inglês para a Seleções Reader’s Digest. Ainda trabalhando no comércio, publica os romances Maria de cada porto (1959), obtendo os prêmios “Coelho Neto”, da Academia Brasileira de Letras, e “Fábio Prado”, da União Brasileira de Escritores, São Paulo, Chão de mínimos amantes (1961), Cais, saudade em pedra (1962), A ostra e o vento (1964), Belona, latitude noite (1968), todos eles com grande repercussão no Brasil e no exterior, além de traduções na Tchecoslováquia, na Rússia, na Bulgária, na Itália, radioteatralizações na Polônia e em Portugal.

Deixando de trabalhar no comércio, foi colaborador da Enciclopédia Delta Larousse, sob a direção de Antônio Houaiss. Passa a dar aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e na Faculdade Hélio Alonso, nas áreas de Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas. Em 1969, funda a Editora Cátedra, com a escritora Eduarda Zandron, editora pela qual publicam cerca de mil autores nacionais, a maioria estreantes.

Casa-se com a escritora Eduarda Zandron, nascendo-lhes os filhos Fábio Martins Lopes, em 1968, e Saulo Martins Lopes, em 1973. Seu filho Fábio, que aos dez anos publicou o livro de poesia, Da janela do quarto andar, e, aos quinze anos, a minibiografia Montezuma, o Imperador Asteca, já advogando enquanto cursava Direito na UERJ, professor de Inglês aos dezoito anos, vem a falecer em janeiro de 1989, aos 20 anos, cuja doença e falecimento originou o livro de sua mãe Eduarda Zandron, Ninguém me disse que ia ser fácil (Relato de uma mãe sobre 87 dias de tortura de seu filho condenado por leucemia), publicado em 1990. 

Continuou a construir sua obra literária, hoje com vários volumes e reedições (ver adiante, “Edições e reedições de seus Livros”). Além de fartamente adotada em colégios, é estudada nos meios universitários brasileiros e estrangeiros, de que resultaram teses de doutoramento no Brasil e nos Estados Unidos. Em 1978, foi realizado, com sua presença para dissertações e debates, um Simpósio sobre toda sua obra, na Universidade do Arizona, e palestras nas universidades de Santa Bárbara, San Diego, na University of California at Los Angeles – UCLA, e University of Southern California – USC, também em Los Angeles, California, Estados Unidos.

Tem participado de congressos, simpósios e conferências sobre literatura em todo o País, jurado de concursos literários, inclusive do “V Cine Ceará – Festival Nacional de Cinema e Vídeo”, em 1995. Presidente do Sindicado dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro, de 1994 a 1997, reassumiu a presidência para a gestão 1998/2001, onde presidiu também o Conselho Editorial do jornal Tribuna do Escritor.

Seu romance A ostra e o vento, que, desde seu aparecimento, despertou grande interesse em vários cineastas brasileiros e estrangeiros, foi adaptado para o Cinema, em 1997, sob o mesmo título, com roteiro e direção de Walter Lima Jr.

Lança, pela Quartet Editora, no ano 2000, seu novo romance O Almirante Negro (Revolta da Chibata – A Vingança), além da sétima edição brasileira de A ostra e o vento. Em 2001, além da oitava edição de A ostra e o vento, pela Quartet Editora, sai a sua edição italiana, L’ostrica e il vento, em tradução de Gian Luigi De Rosa, Salerno, Itália. Também em 2001, é editado seu livro Guia prática de criação literária, ensaio/didático, pela mesma Quartet Editora, que lança também, em 2002, a nona edição de Maria de cada porto, e, em 2003, seu nono romance, Onde repousam os náufragos. Lançou, em 2006, As fêmeas da Ilha da Trindade, e, em 2007, A ressurreição de Antônio Conselheiro e a de seus 12 apóstolos, além da reedição de outras obras suas atualmente esgotadas, como, em 2009, a terceira edição do seu romance Cais, saudade em pedra. Tem escritos, para publicação oportuna, dois volumes de suas reminiscências, ainda sem título definitivo, e prepara seu décimo segundo romance, a ser editado em 2010, entre vinte e um livros já editados, incluindo ensaios e literaturainfantil.
A Ressurreição de Antônio Conselheiro e a de seus 12 apóstolos é um romance multifacetado, com o líder messiânico e cada um dos seus principais seguidores contando um pouco de sua vida, como formaram o grupo e sua rotina na comunidade de canudos.A ressurreição de Conselheiro era esperada pelos conselheiristas, mas quando a ela se refere, Lopes sugere que a realidade que levou à rebelião de Canudos continua viva em nosso país.Inúmeros trabalhos já foram produzidos sobre o tema, com destaque para a obra-prima de Euclides da Cunha, Os sertões. O novo livro de Lopes nos oferece um panorama um tanto diferente, por abordar a saga de Canudos sob a visão dos perdedores.

Moacir C. Lopes 1927 - 2010.

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