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domingo, 30 de janeiro de 2011

Técnica previne calamidades em Ibaretama


Mapeamento eletrônico pode ser utilizado por moradores de áreas de risco alertando para enchentes.
O técnico agrícola Ednaldo Calixto afirma ter nas mãos uma importante ferramenta de auxílio à população na prevenção de calamidades em regiões inundadas pelas chuvas. Ele aposta no georreferenciamento como alternativa de alerta e retirada de moradores de áreas de risco com elevação e transbordamento de rios, açudes ou qualquer outro manancial. Pretende apresentar seus estudos à Defesa Civil do Estado para utilização na assistência às cidades afetadas pelas fortes chuvas. Atualmente, ele é um dos professores do Pro-Jovem Campo de Ibaretama, no Sertão Central do Ceará. Com o monitoramento do mapeamento eletrônico é possível prever quais áreas serão afetadas em questão de horas e até de dias, dependendo da intensidade das chuvas, observando-se os índices de pluviometria levantados pela Funceme.
Os trabalhos de georreferenciamento de uma área povoada, de cerca de 1km, leva em média três dias, estima ele. Para detectar as coordenadas ele usa um geodésico, aparelho de precisão utilizado para definir a latitude e a longitude de um determinado ponto a partir de informações via satélite. A margem de erro pode chegar a até 100 metros, o equivalente a distância de um quarteirão. O suficiente para deixar centenas de famílias debaixo d´água.

Calixto acrescentou, porém, a necessidade de implantação de pontos de monitoramento nas áreas de risco. O processo é praticamente o mesmo utilizado no acompanhamento dos níveis dos açudes do Estado, com réguas. Os moradores poderão fazer esse trabalho. Serão os maiores beneficiados. Com base nos dados e alguns cálculos é possível prever a cota de um rio ou açude horas antes, saber qual nível atingirá. Dessa forma as famílias não ficarão aflitas. Não serão obrigadas a sair às pressas de suas casas.
Segundo ele, a ideia surgiu ao ver, no Diário do Nordeste, os transtornos e o desespero de famílias com as primeiras chuvas do ano no Ceará, em Sobral, Canindé e Cariri. Uma das regiões onde trabalha foi afetada pelas inundações dois anos atrás. Ele cita como exemplo o Distrito de Pirangi, na zona rural de Ibaretama. Parte da vila, situada à margem do Rio Piranji (grafia indígena), foi surpreendida com a súbita elevação do nível das águas. A correria foi geral. O medo também. Muitas casas e até a escola ficaram alagadas. Ele ressalta não ser possível evitar inundações nesses casos. Não há como deter a força da natureza. Mesmo sendo construídas contenções, a água terá de escoar por algum lugar e seguir seu curso natural, geralmente com destino ao mar. Mas é possível recolher famílias e até eletrodomésticos sem riscos.
No último dia 26, cerca de 500 famílias ribeirinhas do Acaraú, no Município de Morrinhos, na Zona Norte do Estado, foram afetadas pela cheia do rio. São moradores das localidades de Jucumanso, Poço Branco, Salgado, Espinho dos Lopes, Tucunduba e Beira Rio. Houve pouco tempo para comerciantes retirarem suas mercadorias. O prejuízo seria evitado com o sistema de monitoramento proposto, explicou o técnico.
As coordenadorias de Defesa Civil dos Municípios poderão acompanhar em tempo real a situação das regiões mapeadas, consideradas de risco, avalia. Embora pareça complicado, com um notebook ou computador, qualquer pessoa com alguns conhecimentos básicos de informática e geografia poderá realizar a tarefa.
Assim como ocorre com previsões dos órgãos meteorológicos será possível se antecipar a uma catástrofe. O radar que está sendo implantado pela Funceme em Quixeramobim é uma prova da viabilidade tecnológica. Os fatores do clima serão associados ao mapeamento geográfico, garante.
Habilidades
O professor afirma ter adquirido as habilidades tecnológicas ao participar dos trabalhos de cadastramento das famílias ribeirinhas do Açude Castanhão, em 2002 e 2003.
Na época, o técnico se destacou no mapeamento eletrônico das áreas ribeirinhas do maior reservatório do Estado. Havia sido convidado pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace). Logo começou a dominar a técnica. E, depois, passou a realizar serviços particulares. Alguns anos depois, por conta própria, se especializou. A Praça da Imprensa, em Fortaleza, foi utilizada no curso para o mapeamento.
Fique por dentro
Georreferenciação
A metodologia é chamada de georreferenciamento ou também georreferenciação de uma imagem, mapa ou qualquer outra informação geográfica. Nada mais é do que tornar suas coordenadas conhecidas num dado sistema de referência. Este processo inicia-se com a obtenção das coordenadas (pertencentes ao sistema no qual se pretende georreferenciar) de pontos da imagem ou do mapa a serem georreferenciados, conhecidos como pontos de controle. Os pontos de controle são locais que oferecem uma feição física perfeitamente identificável, tais como intersecções de estradas e de rios, represas, pistas de aeroportos, edifícios proeminentes, topos de montanhas, entre outros. A obtenção das coordenadas dos pontos de controle pode ser realizada em campo (a partir de levantamentos topográficos, GPS - Sistema de Posicionamento Global), ou ainda por meio de mesas digitalizadoras, ou outras imagens ou mapas (em papel ou digitais) georreferenciados.
CONFIABILIDADE
Moradores acreditam na proposta
Dois anos atrás, os moradores da vila de Pirangi, localizada na zona rural de Ibaretama, tiveram suas casas invadidas pelas águas do rio que corta o lugarejo. Foram obrigados a abandonar suas casas às pressas. Não imaginavam a elevação do nível tão rápido. A água chegou à cintura. Perderam móveis e eletrodomésticos. Além da chuva, algumas pequenas barragens romperam desaguando no manancial. Além de boa parte da vila, a escola também ficou alagada.
A agricultora Elizângela Nascimento Valentim recorda dos momentos de aflição em maio de 2009. Lamenta não ter tido a oportunidade de salvar seus pertences. Dezenas de casas ficaram inundadas por quase três dias. Como mora do outro lado do rio, aguarda outro transbordamento a qualquer hora. Ela e os outros moradores vivem em constante estado de alerta. Ao conhecer a técnica utilizada pelo técnico agrícola e professor, Ednaldo Calixto, em princípio, ficou desconfiada, no entanto, logo depois, ao receber as explicações, reconheceu a possibilidade de amenizar o sofrimento de sua família.
O aposentado Edmilson Vieira da Silva ficou impressionado com o método. Computador já conhecia, notebook também, todavia não imaginava ser possível prever com antecedência quando a água do Pirangi pode atingir sua casa usando um aparelho desses. Ele cuida da Chácara dos Pássaros, pertencente ao amigo "Comissário Moreira". O vizinho costuma deixar os móveis pendurados. A propriedade é ribeirinha. Fica situada em uma das áreas mais baixas do leito. O amigo dorme no andar de cima do imóvel, com uma boia do lado.
Acostumado
O comissário Moreira havia viajado para Fortaleza, onde mora, quando a reportagem visitou sua chácara. De acordo com a vizinhança ele já está acostumado com as inundações. Na última terça-feira, dia 25, não foi diferente. Assim como ocorreu em 2009, a barragem de um pequeno açude rompeu rio acima. Ele não se preocupou, mas para o restante da comunidade, foi um verdadeiro pesadelo. Três casas ainda foram atingidas. O nível do rio baixou, mas a preocupação, não. "Se essa coisa funcionar mesmo será um alívio para quem mora na beira de rio", comentou o morador Raimundo Mesquita.
Prevenção
Atualmente, a Defesa Civil do Estado do Ceará conta com alguns dispositivos tecnológicos utilizados no alerta preventivo de calamidades. O mais recente deles é o Twitter, uma rede social mundial virtual utilizada para enviar e receber mensagens. O endereço é twitter. Outra ferramenta é o alerta meteorológico preventivo, feito pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A Divisão de Operações Meteorológicas da Funceme disponibiliza o acompanhamento por meio de seu portal: http://www.funceme.br/
O coordenador geral da Defesa Civil do Ceará, coronel PM do Corpo de Bombeiros, João Vasconcelos Sousa, informou já conhecer o sistema proposto pelo técnico de Ibaretama. Considerou muito interessante sua aplicabilidade. Será uma ferramenta muito interessante de auxílio à população.
Segundo ele, desde quando o Corpo de Bombeiros assumiu a coordenação da Defesa Civil no Ceará, a prevenção tem sido uma das principais metas. O georreferenciamento poderá ser feito pelas unidades municipais de Defesa Civil. "Atualmente, o Estado está realizando o mapeamento das áreas de risco", acrescentou.
Alex Pimentel
Com informações do Diário do Nordeste.

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