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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

E se professores fossem como Promotores, Advogados ou Juízes?

Opinião e Ação
Por Getulio Freitas


Pergunte a um pai ou uma mãe sobre qual profissão ela escolheria para seu filho.
Acho muito bonita uma propaganda na TV, acredito do Ministério da Educação que mostra pessoas de diversos países respondendo quem é o profissional responsável pelo desenvolvimento do país e dentre indagação que não me recordo no momento. O nome do professor é dito em diversas línguas, “el maestro”, “the teacher” e assim por diante.
Também fiquei muito contente quando no discurso de posse de Dilma Rousseff a mesma enfatizou que “as verdadeiras autoridades da educação, são os professores”. E que bom se realmente fosse tido assim, nosso país certamente seria outro. Em nosso “torrão querido”, como sempre cita um amigo meu, temos varias profissões a nível de carreira e importância, que confere respeito e credibilidade aos profissionais que dela comunga. E dentre os que mais me chamam atenção estão Juízes, Promotores, Advogados e Defensores Públicos. Pergunte a um pai ou uma mãe sobre qual profissão ela escolheria para seu filho e dentre as ditas certamente a de professor não estará na lista. Mas atente-se, que cada profissional antes de chegar onde esteve não existe um que não passou pelas mãos de um mestre-educador. E que estranha contradição! É como desprezar a galinha na querela de que “quem nasceu primeiro se foi o ovo ou a galinha”.

Eu poderia aqui iniciar um discurso debruçando-me  sobre a evolução da educação no processo histórico-político brasileiro, e sobre as influencias disso nesse processo, enfatizando a descentralização do ensino e a municipalização de determinados setores da educação, mas posso lhe dizer seguramente que a causa do maior fracasso da educação em nosso país comunga da política. Das influências políticas e do julgo a que os profissionais da educação são postos.
Muitas prefeituras de nosso país, não os vêm como funcionários a serviço da educação do município, mas muitas vezes como empregados do chefe do executivo, o que levas a estes profissionais terem que abrirem mão da ética profissional e aderirem a uma bandeira política para se manterem na sua fonte de sobrevivência. Sim leitores, muitos professores apenas sobrevivem, não vivem para a educação. E se o trabalho não nos enobrece, não satisfaz nossas necessidades, perdemos o interesse pelo mesmo e o executamos sem nenhum animo, influindo no produto final. Certo dia, perdido em meus pensamentos numa aula de Ciência Política, me perguntei e expus para a sala como seria a vida de um professor se estivesse no mesmo contexto profissional e corporativo de um Promotor ou de um Defensor Publico? O fardo imposto aos professores muitas vezes é tão grande que desconsidera que muitos têm famílias para cuidar ao chegarem em casa. Ser professor hoje é trabalhar integralmente, não somente na sala de aula. Planejar, executar o plano, avaliar e dentre outras atividades. Mas se fazendo isso ganhasse pelo menos a altura, o problema seria menor, mas vemos que muitas têm que ensinar em vários estabelecimentos para terem um salário razoável, quando não desempenham atividades paralelas ao ensino. Esta é a realidade de nossas autoridades em educação. Presos a amarras políticas que faz com que a educação avanço em meados de acordos políticos e apadrinhamentos. Será que Anísio Teixeira quando defendeu a municipalização do ensino, visando uma descentralização, previa que tal coisa poderia acontecer?
Como garantir que uma classe tenha aquilo que almeja se há divisões entre ela? O sindicato dos professores, pouca força tem, embora tenha evoluído nos últimos anos. E se não tem força é por que aqueles que o compõem não estão dando o que teria que dar. Sonho um dia em ver professores dentro de uma instituição independente da vontade política partidária municipal ou de outra instância. Imagina a desgraça que não seria para a justiça se promotores e defensores públicos fossem subordinados ao executivo municipal e fosse organizado entre si apenas em pequenos sindicatos, e não como uma instituição forte e unida a serviço do bem comum e da defesa dos direitos dos cidadãos e dentre outras atribuições. Não sei se viverei para ver algo pelo menos parecido com este sonho.
Getulio Freitas
Estudante de Administração pela Universidade Federal do Ceará – UFC
Ambientalista, membro atuante da Associação Serrazul de Ibaretama
Colunista do portal Revista Central
As opiniões aqui expressas não necessariamente coincidem com a da Revista Central

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