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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O homem e o meio ambiente

SinceraMente
Fagne Alexandre

"A relação entre homem e natureza inquestionavelmente é determinada pelo comportamento econômico".

A existência de um conflito entre o homem e o meio ambiente não parece algo permanente tão pouco benéfico, principalmente ao homem, visto que este é parte desta, logo profundamente dependente dela. Não é possível indica onde teve início tal conflito, assim como a maneira inicial do mesmo, contudo, hoje atingindo praticamente todos os ambientes habitados pelo homem, tornou-se quase natural e inevitável.

A agressão ao meio ambiente está nascendo simultaneamente ao nascimento de nossos irmãos, porque para alimentá-los e protegê-los do calor ou do frio, para estes, o agasalho já não é suficiente, mas exige-se que seja o mesmo oferecido em forma de presente, para aquela, falta a produção em local mais próximo, inquestionavelmente é preciso lixo para protegê-la na viagem. Porém, a natureza sem o homem, literalmente, não faz o menor sentido, pois a presença humana não deve ser o problema, contudo seu péssimo comportamento social é maléfico, principalmente para ele, o homem.

Construíram uma imagem de um homem que não faz parte da natureza, tal ser vive em um lugar denominado civilização, seu contato com o chamado mundo natural é feito através da exploração. Para esse homem a técnica está distante de tudo que possa representar a indissociável ideia homem-natureza, tudo sua produção de artefatos está a serviço de um comportamento animalesco. Tal comportamento, a exploração desenfreada e intolerante, não está nem mesmo a serviço do homem, mas engordando um sistema que entope suas próprias veias. Paradoxalmente denominado de homem, porque aparenta ser racional, um ser animalesco constrói sobre areia seu castelo à custa do trabalho alheio, forçando a aglomeração de muitos em torno das frágeis paredes que desabaram destruindo todos a sua volta.

A denominação de sociedade, indistintamente aplicada aos exploradores e aos explorados, agrupa a todos sem unificá-los, porém, pela própria unidade humana de convivência entre todas as classes sociais não existem vocábulos separadores, assim como não existem motivos para a real separação existente. Não existe, atualmente, um comportamento que permita a maioria decidir seu caminho, ainda que ela tenha tal ilusão, pois disto resultaria um melhor convívio com a natureza. Não é a falta de conhecimento, tão pouco de interesse de um convívio sustentável, mas, essencialmente, a incapacidade de conciliação entre a forma de exploração atual e outro modo de reagir da grande maioria.

A relação entre homem e natureza inquestionavelmente é determinada pelo comportamento econômico. Exigir que as cidades, as quais são os locais que no momento mais dispõe dos recursos desenvolvidos pelo homem, não atraiam todos aqueles que têm, ainda que minimamente, um contato com tais recursos, é inconcebível. Quem produz os bens é a coletividade, porém alguns poucos têm a posse, assim como a destruição da natureza é feita por todos, mas não pode ser responsabilidade daqueles que são forcados a tal comportamento.

A sustentabilidade da natureza decorre de um comportamento incompatível com este modelo econômico atual. A própria ocupação do planeta necessita ser radicalmente alterada, e urgentemente, para que os frutos de um convívio sustentável possam ser colhidos por aqueles que desfrutarão da sua contribuição social. O espaço urbano permanecerá retomando sempre o mesmo caminho: ocupação irregular, produção exagerada de lixo, etc. até que seja construída uma nova forma de habitar o planeta, sem a divisão entre o urbano e o rural.

Se é impossível repensar a habitação do planeta, para qualquer um que reflita minimamente, a sustentabilidade é somente mais um falso discurso, para alimentar a ilusão de que os bairros alagados e as encostas de rios serão em breve acontecimentos do passado.

 
Fagne Alexandre

Graduado em letras pela UECE/FECLESC
Ex-Professor da Escola Cônego
Funcionário de empresa de economia mista

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