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domingo, 30 de outubro de 2011

Seleçõezinhas de merda

Por Pedro Cardoso da Costa
O ENEM de Paulo Haddad prova que ministro não cai por incompetência na atual gestão.
Nenhum momento foi mais oportuno do que este que as seleções brasileiras de futebol me dão para escrever sobre a imprensa colocar somente as letras iniciais de palavrões ou as chamadas palavras de baixo calão.
Quando transcrevem a fala de alguém omitem exatamente aquelas que definem a baixeza. Principalmente de técnicos de futebol. E isso se repete no rádio e na televisão. De autoria desconhecida, a bufa que gerou uma crise no Flamengo é a prova mais recente. Um “pum” pode vir de qualquer um, em qualquer solenidade e circunstâncias, desde que, muito apertado, não controle um movimento mais brusco. Ninguém de bom senso pode achar alguma ofensa numa fatalidade desta. Nada poderia ser mais humano. Entretanto, foi chamado de “pum”, de outras invencionices, mas ninguém pronunciou bufa, o que realmente foi. Eu bufo, tu bufas, todos bufam. Trata-se do verbo bufar. Sem nenhuma culpa, até o Papa bufa e, se não se cuidar, ca...

Isso se aproxima das cenas de sexo das novelas para os acima de 12 anos nos horários nobres. As personagens vão para a cama, tiram as suas roupas até ficarem de cueca e biquíni e, para preservação geral da juventude brasileira, somem debaixo dos lençóis, de onde voam o resto das pecinhas, soam os sussurros, os gemidos e... Depois de um corte, ressurgem suados, com as vozes ainda ofegantes, mas com a moral e os bons costumes preservados.
Já os jornais e revistas cansam de repetir que o cidadão tal usou palavras de baixo calão. Sem especificá-las, não passa de falta de informação. Não existe um catálogo com as tais denominações, além de existir significados e intensidades distintas de uma localidade para outra. Eles deveriam explicar de qual manual saiu que se deve escrever que “A mandou B tomar no c...” E que os congressistas sempre ferem o decoro quando mandam um colega ir se fo... ou o chama de “fila” da p... Sempre com o cuidado de se tratarem por Excelência.
Isso decorre de a cultura generalizada nesse país se utilizar de subterfúgios. Os gestores da saúde pública dizem que está a mil maravilhas, com os mesmos meios de comunicação mostrando, todo dia, gente morrendo nas filas e enfermeiras regando as veias de criança com vaselina, homem fazendo vasectomia no lugar de retirada de uma verruga, tesouras ficando décadas em corpos febris, e tantas mais similares.
Avisei que as seleçõezinhas serviriam só de pretexto. Mas, o dedo coça. Depois da última Copa do Mundo, a seleção principal não venceu nenhum time relevante, pois aquela “argentina” é digna da letra “a” minúscula. Perderia para qualquer clube da Segunda Divisão brasileira. O futebol brasileiro é apenas o que têm mais títulos de Copas do Mundo. Só. Leva um baile nos títulos sulamericanos, nos jogos pan americanos. E a desculpa é de que não valoriza ou não valorizava esse ou aquele campeonato. Mas, os mesmos títulos desvalorizados são a glória dos times que os venceram. O futebol-show se limita a um zagueiro receber a bola, passar em diagonal curta para o lateral, ou ala que, com a perna um tanto suspensa para dar um charme, devolve ao mesmo zagueiro que transfere para o outro ala que, apertado por algum adversário, ou dá um chutão para frente ou devolve ao goleiro. De muitos idênticos, é o lance que se repete umas trinta vezes numa partida da seleção show.
Nunca se venceu uma medalha de ouro em Olimpíada. Se nossa supremacia fosse igual à dos Estados Unidos em vários esportes e tivéssemos vencido, ao menos, cinco medalhas de ouro, o Brasil tomaria a 36ª posição do Quênia no quadro geral de medalhas. Mas se dizem que somos o melhor futebol do mundo, voltemos a ver o show entre zagueiros e laterais.
Como a sociedade está numa busca de sair desse faz-de-conta, principal saúva brasileira, é preciso afirmar que nosso futebol não é melhor do mundo nem no show, e muito menos nas estatísticas. Quem reproduzir a conversa de quem baixou o nível, tem que dizer que mandou tomar no cu; não mandou tomar no ânus, isso não; que o outro retrucou chamando-o de “fila” da puta. As novelas precisariam mostrar a cena completa, com informação prévia de que são recomendadas para maiores de 18 anos, além de variar a cena com o voo de duas cuecas ou duas calcinhas, para evitar justos processos por discriminação.

Pedro Cardoso da Costa 
Interlagos/SP
Bel. Direito

Colunista da Revista Central
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