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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A propaganda e o poder


Trabalhadores livres não podem se submeter a uma orientação que permita a estes serem responsáveis pelo desenvolvimento de toda sociedade, pois não é aceitável que o desenvolvimento seja um processo social, aparentemente submetidos aos interesses dos patrões cada um faz sua parte. A possibilidade de enriquecimento pelo esforço individual transforma a face do trabalho alienado em arma de ‘liberdade’, a qual está em destaque ainda que o seu praticante se encontre limitado pelo compromisso assumido com o patrão.

As aparências são mecanismos demasiadamente utilizados pelos filhos da modernidade, os quais deixaram de ser trabalhadores para transformarem-se em funcionários de uma empresa que é uma grande marca. Tais funcionários escolhem sempre as melhores marcas para usar, ainda que seja apenas uma cópia, pois a diferença existente entre o original e a cópia é tão somente o preço, desde que alguém não se atreva a fazer desqualificações. Fazer parte do grande aglomerado, ou seja, fazer parte da maioria, estando cada um individualizado imaginariamente, é tão importante quanto tornar-se o melhor profissional, ainda que ser melhor signifique trabalho gratuito.

Dentro da empresa na qual existe a exploração do seu trabalho, melhor dizendo, onde há a conquista de seus dias melhores, a competência de cada um é indiscutível, logo é necessário para que alguém se destaque a capacidade de encarar a jornada como algo que pode ser superada para seu próprio sucesso. A aliança entre trabalhadores por salários melhores pode ser um obstáculo ao sucesso pessoal, até por que fora das empresas estão milhares de trabalhadores esperando sua oportunidade que não pode ser desperdiçada.

Aqueles que estão à margem do processo produtivo, não por falta de competência, prova disso o simples fato de poderem assumir o lugar deixado por qualquer um que perda seu cargo, tornam-se um elemento importante na aceitação de explorações cada vez maiores. Estes mesmos marginalizados se submetem aos chamados “bicos”, mas precisam fazer de tudo que não ofenda a legalidade para depois de muito esperar ter sua oportunidade, não fosse bastante precisam andar aparentemente na moda porque podem um belo dia ficar ricos. A oportunidade está para todos que podem ser explorados, melhor dizendo, que podem trabalhar honestamente.

Não seria cômico se honestidade ficasse longe da legalidade, mas esta última esta a serviço de poucos ao passo que a primeira talvez esteja ironicamente rindo da hipocrisia da maioria que se submete pelo anseio mesquinho de poder explorar um dia, dia que na maioria das vezes nunca chega.

A internacionalização da tecnologia parece superar quase todas as barreiras, mas dificilmente, a continuar tal modelo explorador, melhor, econômico, poderá atingir todas as classes sociais. Não se pode negar que enquanto alguns poucos lutam por melhores salários uma grande maioria não tem sequer tal direito, mas a liberdade de cada um é inquestionável. A mudança de governo pode não significar muito para a população, até palhaço foi eleito para defender o direito que cada um tem de contestar, mas a importância de seu trabalho pode ser revista.

Cada comportamento exige uma determinada postura de seu praticante, mesmo para aqueles que têm fé isto é exigido, pois como dizem “a fé remove montanhas”, pode se dizer em nossa língua, remove serras, mesmo que alguns representantes desta categoria se coloquem contra. Cada trabalhador pode encontrar em outro sua identidade guardadas as devidas proporções, mas se o individualismo é o melhor caminho para a sociedade, já não é mais possível dizer que o homem é um ser pensante, senão um ser repetente.

Uma dialética se impõe ao homem, quanto mais social mais submetido ao individuo, quanto mais individual mais submetido ao social.

Fagne Alexandre 
Graduado em letras pela UECE/FECLESC
Ex-Professor da Escola Cônego
Funcionário de empresa de economia mista

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