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domingo, 10 de outubro de 2010

Símbolos Modernos

Sinceramente
Fagne Alexandre

Imagem Ilustrativa
Existe subentendido na mente da maioria dos consumidores um conceito de moda, o qual, por mais paradoxal que seja, foi formado pelo próprio individuo, capaz de colocá-lo ao mesmo tempo de acordo com tal conceito e ainda ser símbolo de sua individualidade.

A moda não está acima de ninguém, todos sabem disso, cada um vive sua individualidade, sem referência a uma maioria. Se não existe a valorização do coletivo provavelmente é porque não existe tal necessidade, visto que somos todos livres. Não cabe questionar a liberdade, ela existe, está intimamente ligada aos interesses da grande imprensa, ela é moda. Contudo é importante destacar que sua face não pode mudar ao gosto da imprensa, a qual tem pouca ou quase nenhuma influência sobre nosso comportamento.

A conhecida pirataria é uma face não muito atraente da moda, mas sem ela quantos consumidores precisariam mudar o figurino, para que não parecessem as mesmas. Ela faz o desenvolvimento do mercado, não pela sua produção em si, mas pela concorrência provocada, visto que sem ela a marca e o produto seriam sempre o mesmo. Não que o produto precise da pirataria em si, mas que ela, a pirataria, faz surgir novas marcas, as quais somente atingem o sucesso motivado por escolhas absolutamente pessoais.

Não é interessante falar sobre assuntos polêmicos, é importante destacar algo que torne-se gosto de todos, torne-se não, pode parecer tendencioso, mas que seja gosto, se não de todos, da maioria. Pode ser que a um ou a outro a fome pareça um tema ambiental, mas inquestionavelmente permanece matando pessoas em praticamente todos os continentes.

Um discurso que não enfrenta o problema, mas ganha adeptos pela sua inquestionável necessidade pode ser perfeitamente divulgado e repetido, desde que não faça referência ao enfrentamento real do problema. Para alguns é possível salvar o planeta recolhendo o lixo produzido e jogando no espaço, talvez. Será que o problema não está no modelo econômico? Mas a moda não pode acompanhar tal atitude. A hipocrisia, ou mesmo a ignorância, não se aproximam da moda, ela, a moda, está à frente.

Como diria o poeta, “somos todos iguais e tão desiguais”, e, ainda que a cultura seja intimamente ligada ao ser humano este parece não reconhecer o contexto social no qual está inserido.

Fagne Alexandre
Graduado em letras pela UECE/FECLESC
Ex-Professor da Escola Cônego
Funcionário de empresa de economia mista

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