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sábado, 30 de outubro de 2010

A política e o povo

SinceraMente
Por Fagne Alexandre


A ideia democrática é tão apaixonante que o simples fato de sua menção levanta defensores irrefletidos e instantâneos para defender a tal ideia, tida como democrática, que seja colocada em perigo. Ninguém, ainda que motivado pela melhor das boas intenções, pode até o presente idealizar algo tão importante para o desenvolvimento do homem. Contudo, ainda que incontestável a beleza da ideia democrática, a atitude que dela se faz não parece tocar a essência, e a alegoria da caverna, descrita na República, é tão atual que faz desacreditar que governos possam ser democráticos.

Quem pode contestar que a vida do vizinho não tenha importância nos diálogos cotidianos, que tal vida seja necessariamente interligada com a daquele que a comenta, e que necessariamente a vida de uma pessoa esta ligada a de outras. Porém, nem sempre a percepção essencial de fatos e acontecimentos se faz, muitas vezes somente a aparência se manifesta, por inúmeros motivos, inclusive por interesse de poucos. Os poucos governantes não querem sequer dividir o poder, nem pense na possibilidade de perdê-lo, seria inaceitável, pessoas saídas do julgo de poucos, como os habitantes da caverna, passarem a discutir a administração da cidade. Se alguém comenta a vida de outro que tal comentário não possa atingir a democracia, pois faz parte da representação, a maioria nada decide, simplesmente cumprir seu papel.

A política não interessa aos governados, para isso existem os representantes, contudo a democracia é a forma de governo, pois o povo tem o governo que merece. Aparentemente o povo decide ser ignorado, mas todos podem falar mal do governo, até mesmo a imprensa tem espaço para todos, qualquer pessoa pode manifestar sua opinião em rádios e televisões nacionais, que são apenas concessões públicas, do governo em favor do povo. Participar efetivamente das discussões políticas pode ser perigoso, somente o voto é uma grande discussão, com ele o eleitor tem a oportunidade de ser representado por quatro bons anos.

A imprensa disponibiliza para toda população aquilo que mais interessa, não cabe a ela opinar, talvez até caiba, mas para o povo ela é fonte indispensável, não há que se duvidar de sua credibilidade. Ela, a imprensa, discuti pelo povo, até por que, ele, o povo, tem muitas ocupações, não há espaço para esclarecimentos, isto pode custar muito caro. Não é raro encontrar alguém chamado de polêmico tão somente por que é esclarecido, principalmente se colocar-se contra a visão da maioria, ou simplesmente da opinião pública publicada.

Existe o intermediário do debate político, ele é praticamente o ditador, mas a democracia é mais forte, o povo é quem governa, mesmo sendo governado. Alguns interesses que não são públicos permanecem como os principais da representação política, sem tais interesses o comportamento de políticos seria outro, nada está escondido atrás do belo nome, DEMOCRACIA. O nome tornou-se mais importante que a essência, ser democrático é ter um nome.

Fagne Alexandre
Graduado em letras pela UECE/FECLESC
Ex-Professor da Escola Cônego
Funcionário de empresa de economia mista

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