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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nem Dilma, nem Serra, Marina Silva preferiu a neutralidade

Foto: Correio Brasiliense


São Paulo — Nem Dilma Rousseff (PT) nem José Serra (PSDB). Conforme o esperado, a senadora Marina Silva (PV-AC) disse ontem que não vai apoiar nenhum dos dois candidatos que disputam a Presidência da República. Tanto a ex-presidenciável quanto o PV anunciaram ontem a posição de “independência”, o que significa que os militantes podem votar ou mesmo apoiar qualquer um dos dois, sem usar o nome da legenda.



O capital eleitoral de Marina estava sendo disputado acirradamente por Dilma e Serra. A senadora teve 19,6 milhões de votos, quase 20% dos votos válidos. No Distrito Federal, a verde venceu os dois, conquistando 611.362 votos, exatos 41,96% dos votos válidos. Com o anúncio da neutralidade, Serra vai traçar outra estratégia para conquistar o voto dos eleitores de Marina. Já o comando de campanha de Dilma porá o seu maior cabo eleitoral para ter uma conversa pessoal com a candidata derrotada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ter um encontro reservado com Marina nos próximos dias. Para decidir pela isenção, o PV realizou ontem em São Paulo uma plenária. Da reunião, saiu uma carta aberta dirigida a Dilma e a Serra lida por Marina no fim do encontro. “Essa é a melhor posição do partido para contribuir com o processo eleitoral”, diz trecho do documento.

Marina fez questão de deixar claro que a posição de independência não significa que ela e o partido ficarão de fora do processo eleitoral no segundo turno. “Quero afirmar que o fato de não ter optado por um alinhamento neste momento não significa neutralidade em relação aos rumos da campanha. Creio mesmo que uma posição de independência, reafirmando ideias e propostas, é a melhor forma de contribuir com o povo brasileiro”, disse a senadora ao ler a carta. Pelos bastidores, Marina vem criticando a campanha de Serra e Dilma, principalmente por conta do viés religioso que a corrida eleitoral ganhou no segundo turno.

A senadora aponta uma falta de coerência na opinião da petista sobre os temas polêmicos, como legalização do aborto, e um “oportunismo” do tucano, que mandou confeccionar santinhos religiosos e outros panfletos com a cor verde e temas ambientais para conquistar votos da ex-presidenciável. A equipe de telemarketing de Serra está ligando para eleitores de Marina em São Paulo e em Brasília afirmando que ele tem uma agenda ambiental e que é contra o aborto.

A posição anunciada ontem por Marina foi a mesma tomada por várias lideranças nacionais do PV. O ex-candidato a vice pelo PV, Guilherme Leal, o vice-presidente do partido e deputado eleito, Alfredo Sirkis, o ex-candidato ao Senado Ricardo Young e o deputado Zequinha Sarney discursaram ontem reforçando a posição de independência. Eles deixaram claro que isso não impede que cada político verde tenha a sua decisão pessoal e que é manifestada na hora do voto.

O único que não se posicionou foi o candidato derrotado ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira. Ele já declarou em outras ocasiões que apoia Serra porque teve o suporte do PSDB no primeiro turno.

De acordo com a apuração dos 92 votos da plenária do PV, apenas quatro não votaram pela posição de independência. A votação, segundo o partido, contou com delegados do PV e 15 representantes da sociedade, sem filiação partidária. “Como cidadão, o militante do partido poderá manifestar no segundo turno a posição pessoal em favor de um ou de outro candidato, desde que não utilize símbolos do partido”, frisou Marina. O presidente nacional do PV, José Luiz Penna, também reforçou essa orientação.

"O voto é secreto"
Ao ser questionada em quem vai votar no segundo turno, Marina fechou a cara e preferiu não revelar. “O voto é secreto. Para manter a minha independência no processo político, vou me reservar a esse direito de eleitora”, disse.

Ela negou que tenha reunião marcada com Lula, mas disse que não se opõe ao encontro.

Já o vice-presidente do PV, o deputado federal eleito Alfredo Sirkis, disse que os militantes do partido têm toda a liberdade de aparecer em programas de TV tanto de Dilma quanto de Serra e até mesmo de subir em palanques e fazer declaração de voto, desde que fique claro que se trata de uma decisão pessoal e não partidária.

Marina disse que Serra e Dilma estão em um ringue. “Eles precisam descer da arena e subir num palanque”, comentou. Ela negou ainda que setores do PV pretendessem obter cargos no futuro governo e rejeitou a hipótese de aceitar algum cargo, caso seja convidada pelo vencedor da eleição.

“Não preciso estar no governo para contribuir com a sociedade. Às vezes, a gente até contribui bem mais estando fora dele”, justificou.

Com informações do Correio Brasiliense

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