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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Assentados trocam experiências no sertão

Oficina de conhecimento estimula práticas de sustentabilidade rural ecologicamente corretas

Agricultores de Quixadá,Quixeramobim e Ibaretama viram
experiências do Assentamento Boa Vista
Foto: Alex Pimentel DN
Quixadá. Os quintais produtivos são viáveis? Quais as alternativas adequadas para a época de estiagem? Como extrair o sustento da terra sem agredir o meio ambiente? Dezenas de trabalhadores rurais de municípios da região Centro do Ceará se reuniram no Assentamento Boa Vista, comunidade rural situada a pouco mais de 15km do Centro de Quixadá, em busca de respostas para esses questionamentos e ainda avaliar e discutir as experiências desenvolvidas naquela localidade, dentre as quais, o manejo da Caatinga, hortas orgânicas e o turismo de base comunitária.

No total, 45 agricultores e agricultoras de vários assentamentos de reforma agrária de Quixeramobim, Quixadá e Ibaretama participaram da oficina, "Saberes e fazeres em agroecologia". O intercambio foi promovido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em parceria com a Associação de Cooperação Agrícola do Estado do Ceará (Acace), Núcleo de Iniciativas Comunitárias (NIC) da Fundação Konrad Adenauer e escritórios regionais do Projeto Dom Helder Câmera e Sebrae, em Quixeramobim.

De acordo com os organizadores, a atividade faz parte de um processo educativo cujo objetivo é refletir sobre a importância da agroecologia no contexto de políticas públicas para a sustentabilidade sócio-ambiental, assim como socializar e difundir saberes e práticas já em desenvolvimento na agricultura familiar. A esse respeito o representante da Acace, Edmilson Santos, ressaltou a vontade dos participantes seguirem os exemplos expostos na comunidade visitada. "É visível que necessitamos produzir uma alimentação de qualidade para todos, mas que não depende só de um ou dois e sim de muitos", completou Santos.

Segundo a coordenadora do Núcleo Ambiental do Ibama, Águeda Garcia Coelho, o assentamento Boa Vista foi escolhido por realizar várias experiências em práticas agroecológicas. Os moradores dão outro sentido à sustentabilidade, passando pela organização, conservação do meio ambiente, trabalho e renda, associados à segurança alimentar, saúde e qualidade de vida. Na prática, estão demonstrando a viabilidade da agricultura familiar, imprescindível para a garantia do território.

O pesquisador João Vianei, de Quixeramobim, apresentou o Sistema Agro Florestal com cumaru - árvore com sementes de uso medicinal - consorciando espécies nativas da Caatinga com as culturas de milho, feijão etc. O sistema contribui para o reflorestamento, a produção de alimentos e a utilização em fitoterápicos a partir do conhecimento tradicional da população do campo. "Atualmente, esses produtos ganham destaque no meio científico no combate a problemas respiratórios e na indústria de cosméticos e perfumaria", disse Águeda.

A coordenadora considera essas experiências relevantes para o meio ambiente e para saúde humana. Proporcionam produção limpa de alimentos, proteção dos mananciais hídricos, sem contaminação por agrotóxicos, preservação da biodiversidade da Caatinga, geração de biofertilizantes e redução de desmatamento. Somados aos impactos positivos para o meio ambiente, ela ressalta melhoria das condições de vida, conseguindo agregar valor a sua produção.

Fortalecimento

"Para fortalecer a agricultura familiar é fundamental a execução articulada das políticas públicas"

Águeda Maria Garcia Coelho
Coord. Estadual do Núc. Amb. do Ibama

MAIS INFORMAÇÕES 

Núcleo Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama)
Estado do Ceará
(85) 3272.1600

ALEX PIMENTEL
COLABORADOR

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