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terça-feira, 13 de abril de 2010

Saber docente e o ensino de historia na E.E. F. Pedro Alexandre Valentim.


Por Pedro Bandeira
Fazendo História

O Presente Texto discute o saber docente e o ensino de historia na E.E.F. Pedro Alexandre Valentim no distrito de Nova Vida, Município de Ibaretama. Enfatizamos a forma como os profissionais estão sendo qualificados e as condições desumanas que os mesmos têm vivido para desenvolver seus trabalhos pedagógicos na busca por um ensino aprendizagem mais eficaz na escola citada. Refletimos também sobre a atenção desrespeitosa como tem sido aplicada a disciplina de historia no processo ensino-ápredizagem.

Durante muito tempo, o ensino de historia no Brasil foi marcado pela transmissão de informações sobre grandes acontecimentos, abordados numa seqüência linear, ordenados dentro de uma cronologia, apresentando os fatos como conseqüência de ações anteriores, simplificando a compreensão dos processos históricos pelos alunos. Os sujeitos desses acontecimentos eram alguns privilegiados que adquiriam uma condição mítica e eram tratados, geralmente, como heróis.

Essa forma de trabalhar os conteúdos históricos serviu para legitimar e justificar a situação de exclusão social vivida por grande parte dos alunos em seu cotidiano. Eles simplesmente não conseguiam estabelecer relações entre a historia estudada e a vida deles, situação que ainda não foi mudada em sua maioria. A historia ensinada na escola era apenas um instrumento de reprodução dos valores das camadas dominantes da sociedade brasileira.

Hoje a universalização do ensino no Brasil reflete desde iniciativas dos governos até mobilizações sociais como passeatas, mobilização da categoria, reivindicações por melhores salários e condições adequadas de trabalho, que resultaram em conquistadas democráticas por uma educação cidadã. Nesse sentido nós que fazemos parte da educação como educador, também somos um grito dessa luta.
Porém, mesmo amparados por leis como a LDB[1] (lei de diretrizes e base) e FUNDEB[2] (fundo nacional de desenvolvimento da educação básica), ainda presenciamos desrespeito com os professores e o ensino de historia que ora representa nosso objeto de estudo.  Nossa reflexão sobre o saber docente  e o  ensino de historia foi realizada em uma escola de ensino fundamental no município de Ibaretama – Ceará. Entidade esta que fazemos parte como educador.    Sou licenciado em historia, mas quando a escola vai fazer o quadro de professores ficamos com disciplina que não fazem parte nem mesmo das ciências sociais. Entretanto as realidades da instituição permitem equivocadas tomadas de decisão. Somos dezenove (19)  profissionais distribuídos em onze (11) etapas do ensino básico. Sendo apenas um licenciado em Historia; três (03) em letras pelo projeto FECOP; três (03) com ensino médio sem habilitação para o magistério e os demais com ensino médio com magistério, conhecido como terceiro pedagógico.

É a partir dessa realidade que o ensino de historia de nossa escola é tido como uma disciplina “sem muita importância” nas palavras de alguns membros da escola. Entretanto sempre questiono nos inícios dos anos letivos. Por que minha carga horária não pode ser feita na minha área de atuação? A resposta é sempre a mesma, não temos professores para a disciplina “X” ou “Y” e historia qualquer professor ensina. Essa mentalidade tem colocado o ensino de historia e a própria disciplina como secundaria no campo do conhecimento. 

Gostaríamos de apresentar nosso trabalho abordando dois aspectos que acreditamos estar intimamente ligados ao saber docente: a formação profissional e as condições de trabalho desse profissional. Para essa escolha  passamos a observar  a escola a partir de  dois anos, para iniciarmos nosso trabalho de pesquisa. Através do contato com os professores percebemos algumas indignações em seus depoimentos.

Observando, acompanhando e analisando os dados da escola  de Ensino Fundamental Pedro Alexandre Valentim e da Secretaria Municipal de educação do município de Ibaretama, chegamos as primeiras problematizações.

No primeiro aspecto já apresentamos a carência de profissionais com cursos superiores, principalmente na disciplina de historia. Entendemos que o ensino de historia diante de novas concepções e linguagens não suportam apenas com os saberes da experiência em sala de aula, mas precisa sim, de um conhecimento teórico e sistematizado. Para Ernesta Zamboni
                             “ Não se pode pensar no ensino de historia      deslocado da formação do professor, que é de fundamental importância se considerarmos a docência como uma pratica de pesquisa e, para delimitarmos melhor esse campo, é necessário que pensemos na  identidade do professor.”[3]               
Entretanto a formação que ora está sendo oferecida aos profissionais do ensino de historia de nossa escola bem como do nosso município não condiz com a realidade nem mesmo com as condições do nosso professor. Para começo de conversa os cursos são oferecidos nas formas dos sabadões escolares e nas férias. Já podemos levantar dois questionamentos a principio, a brevidade do curso e as condições desumanas para os educadores uma vez que não disponham de tempo para a profissão, comprometendo assim seu desempenho. Em relação a rapidez do curso segundo uma graduanda, após três encontros letivos já estavam sendo submetidas a avaliação de disciplina. Os resultados acreditamos ser, vai estar refletido na falta de um saber sistematizado onde o participante não tem a possibilidade de fazer suas pesquisas e concretizar um aprendizado mais consistente do curso. Então o questionamento será quais concepções de historia terá esse profissional? Alguns professores chegam a dizer que o importante é fazer o curso para o plano de cargos e carreira que o município tem pensado para o futuro. Mais uma vez evidenciamos  que
o objetivo maior não estar no valor da qualificação, mas no quantitativo de profissionais com cursos superiores no município.

O segundo ponto que tem comprometido o trabalho dos professores em relação aos desempenhos dos alunos  são as condições de trabalho desse profissional. Aqui pontuaremos aqueles que na relação ensino aprendizagem é de fundamental importância para um bom êxito escolar. Partimos do pressuposto que a escola é um conjunto, um todo que não se configura em partes isoladas, mas entrelaçadas pela necessidade de um resultado único que representa a eficiência escolar.  Enquanto a LDB  solicita que os diretores e coordenadores de escolas tenham curso superior de gestão escolar, nossos gestores tem apenas ensino médio ferindo assim o próprio regimento da escola que diz o seguinte;       
                                                                        “O núcleo gestor do estabelecimento de  
                                                                      ensino será composto por um diretor, um   
                                                                     coordenador pedagógico e um secretario
                                                                     escolar devidamente habilitado.”[4].
O que pode ser evidenciado na  escola em questão é que ainda predomina o cargo político em detrimento uma gestão escolar baseado na eficiência e no comprometimento da busca por uma educação de qualidade tão propagada nos projetos e discursos políticos. Muitas vezes ficamos com um vazio de gerenciamentos, pois trabalhamos com currículos, planejamentos e os coletivos dos professores quando tem, não são acompanhados pelos gestores, principalmente quando demanda de ações de caráter pedagógico. Outro fator que tem aspecto negativo é o regime de carga horário o qual a escola não tem pensado no lado humano do profissional  No ano de 2009 por motivos dos fenômenos naturais, no caso as enchentes, bem como os descasos políticos,  os professores tiveram que trabalhar até 10 h. no período diurno, tudo isso para legitimar uma carga horária e um currículo institucional. Junto a isso, esses profissionais eram submetidos a cursos noturno como o gestar e aos sábados com  o projeto PAIC.  já citado. Outros professores tinham cursos de duas a três noites semanais. 
Diante dessa realidade concluímos que os resultados que temos alcançado negativamente diante da SEDUC (secretaria da educação do estado do ceará) onde nosso município aparece como o único do estado onde as crianças não são alfabetizadas nos 1º anos. É neste contexto que o saber docente se encere e tratamos aqui alguns pontos desse saber, mas sabemos que a questão é bem mais complexa. Porém no que se refere aos pontos por nós levantados acreditamos que poderia ser diferente, é uma questão de políticas publicas sérias e voltadas para realidade dos nossos professores.


Referencias Bibliográficas.

BRASIL, Ministério da educação. Plano Decenal de Educação para todos – Brasília MEC. 1993.

_______. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros
           Curriculares nacionais. História. Brasília: 1998.

BURKE, PETER. O que é historia cultural/tradução Sergio Góis de Paula - Rio de
                      Janeiro Jorge Zahar Ed. 2005.

EDUCAÇÃO, Secretaria Municipal. Regimento Escolar da E.E.F. Pedro Alexandre.
                  Valentim – Nova Vida –Ibaretama. 2009.

ERNESTA ZAMBONI. Panorama das Pesquisas no Ensino de Historia – Saeculum-revista  de
                           Historia –Nº. 6/7 – Jan./Dez./2000/2001

MONTEIRO, ANA. M. Ensino de Historia: entre saberes e práticas. Tese de doutorado. Programa de
.                                     Pós-graduação em educação da PUC-RIO. Rio de Janeiro, 2002.

REVISTA PENSE. Programa de alfabetização na idade certa – PAIC. Ano1 / Nº.1   
                                Jun./Jul..2009.
TARDIF, M.. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, 2002.



[1]  Sobre o assunto ver a lei 9394/96.

[2]  Idem.

[3]   ERNESTA ZAMBONI. Panorama das Pesquisas no Ensino de Historia – Saeculum-revista de historia –Nº. 6/7 – Jan./Dez./2000/2001. p.106. 

[4]   EDUCAÇÃO, Secretaria Municipal de. Regimento Escolar da E. E. F. Pedro Alexandre Valentim. 2009. p. 5.

Pedro Bandeira é especializando em historia pela faculdade de ciências e letras do sertão central e professor de historia do ensino fundamental da rede municipal de ensino em Ibaretama-Ceará.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito sábia as palavras do querido professor Pedro Bandeira. Apesar de ser uma realidade global no Municipio de Ibaretama, a Escola de Nova Vida está entregue as baratas, quer dizer aos "guabirús". é tanta incompetência que os alunos estão evadindo para outras escolas do municipio vizinho: Morada Nova. Que de passagem, nunca teve a qualidade que a renamada Pedro alexandre sempre teve. isso, repito: TEVE! não é por questões politicas. longe disso. Afinal na gestão moraes, esta escola esteve no seu auge. è por incompetência mesmo dos gestores. Tadinhos e ainda vivem rindo à toa. Não é pra menos, pisam na escola quando bem querem e ainda por cima da gorda carne seca de seus salários.è uma vergonha. E a questão pedagógica tanto digerida nas palavras do caro Pedro Bndeira?? onde fica??

Anônimo disse...

è vergonhoso um professor além de trabalhar como jumento, ganhar como um plebeu, ainda se angustiar com questões tão jurássicas como as lotações. Mas como é de praxe, Ibaretama adora uma operação tapa-buraco! Oi Sr. Secretário. deixe de ouvir a voz politica. põe prafora tua cmpetência cara! sei que é capaz.

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