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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Gestão ambiental e senso comum

Por Getulio Freitas
Opinião e Ação




Nos últimos dias fiquei muito comovido, com o desespero de uma família vitima do deslizamento na favela do morro do Bumba/RJ, onde em torno de 180 vidas foram ceifadas no grande deslizamento de terra, ou melhor, de lixo ali ocorrido.
Na reportagem, feita por uma emissora de grande repercussão, o repórter ao passar na rua foi chamado pela filha da uma senhora que não queria deixar sua casa que estava condenada pela Defesa Civil para que o repórter ajudasse a convencer à senhora deixar sua casa. Ao chegarem a casa, encontram a citada Senhora e sua Irmã, uma mulher pobre, negra, sofrida e ao ponto de um ataque de nervos, chorando muito, pois tinha perdido quase toda sua família e estava acordada a mais de uma semana e pelo que vimos na situação a mesma estava sem alimentação até devido a falta de comida no local e também pelo estado emocional da mesma.
Confesso que ao escrever esse artigo, não tive palavras para descrever a tamanha absurdidade e irresponsabilidade que há no plano de fundo desses acontecimentos. Como é que uma prefeitura investe dinheiro publico em um local onde foi um lixão abandonado, local onde por lei não se pode haver nenhuma atividade, em vez de aplicar políticas públicas de habitação...? Entendo que a população estava lá por conta própria, irregular. Mas aqui está o ponto.  Onde estava o Poder Público em todas as suas esferas que permitiram que tão agrura acontecesse? Hoje no estado do Rio de Janeiro, todos são culpados e compactuaram com esse crime. Todas as leis inerentes ao ser humano aqui foram rasgadas e pisoteadas com a promoção de uma urbanização em um local que não oferecia estabilidade para se construir moradias. O órgão executivo que urbanizou aquele local estava construindo um túmulo, onde breve no tempo da natureza, seria perpetuada a passível ação.
Nossa sociedade ainda vive como se não fizesse parte da natureza. Como se não estivesse inserida num contexto ambiental e no meio ambiente. Mas o que esperar de gestores que muitas vezes não possuem nenhuma capacitação para administrar um município. Dizer aqui que muitos são analfabetos, e que os erros de muitos são devidos a falta de formação acadêmica é uma ofensa grave aos inúmeros analfabetos deste país que se perguntássemos se os mesmo gostariam de construir sua casa em cima do lixo, obviamente obteríamos não como resposta.  E essa resposta seria baseada no senso comum e não no conhecimento técnico ou acadêmico. Sabedoria e conhecimento aqui facilmente se distinguem. Mas senso comum na administração publica é algo dissonante. Mas a necessidade, nesse caso, aliada a inércia do poder publico ajudaram a criar todo um potencial ponto de catástrofe.

Pasmem amigos, a tendência é cada vez  piorar, se nossos governantes daqui para frente não praticarem algo chamado gestão ambiental, que nada mais é que administrar o recurso meio ambiente ao ponto de nos adaptarmos ao meio e não do contrario, pois é impossível. Rios não invadem cidades, cidades invadem rios.  Nós estamos invadindo a natureza e em resposta ela apenas esta reclamando aquilo que lhe pertence. Conhecê-la nos garante meios de vivermos em equilíbrio. Pois meio ambiente traduz este cuidado. A natureza sempre se acomodará, encontrará meios de se refazer. Se necessário se autodestruirá, para novamente se refazer, e nesse processo muitos seres não sobrevivem, o homem é um deles. 

Getulio Freitas
Colunista Ibaretamanet.com

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