domingo, 11 de março de 2012

Utopia ou realidade?

Por Getúlio Freitas
“A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso”.
Recentemente estava em uma aula sobre Responsabilidade Social Corporativa, estava a comentar sobre uma entrevista que tinha visto sobre um determinado economista que explicava o cenário econômico brasileiro, favorável ao desenvolvimento e da vantagem comparativa que o Brasil gozava para produzir certos bens e produtos, devido sua extensão, disponibilidade de terras e ambiente climático sem variações bruscas e dentre outros fatores que poderiam levar o Brasil de 6ª potencia mundial às primeiras.

Expunha minha opinião sobre a velha dicotomia entre desenvolvimento econômico e meio ambiente e quando explicava o conceito de desenvolvimento sustentável, fui imediatamente repelido com a seguinte objeção: “isso é teoria”!
Essa objeção levou-me a refletir sobre algumas práticas utilizadas atualmente; se eram utopia (mera teoria) ou realidade.
Quando a Natura desenvolve projetos onde envolve as comunidades tradicionais para coleta de seus insumos para produção de seus óleos e essências, onde poderia comprar de outros produtores diretamente, alimentando toda uma cadeia de produção, isso é real ou utopia?
Quando a Coelce ao invés de utilizar óleo poluente em seus transformadores, firma convenio com a UFC para produção de óleo ecológico, isso é utopia ou realidade?
Quando ela cria um programa de coleta de resíduos (Ecoelce), mantém relação com empresas de reciclagem e associações de bairros, trocando lixo por bônus na conta de energia, isso é teoria ou prática?
Pierre Pochet, professor de Fisiologia em 1872 disse o seguinte: “A teoria dos germes de Louis Pasteur é ridícula ficção”. Acredito que se estivesse vivo, estaria bebendo leite pasteurizado com enorme arrependimento!
Lord Kevin, presidente da British Royal Society os Science em 1900 disse: “O Raio X é uma mistificação”. Imagino-o após levar uma queda num consultório olhando para o detalhe do seu osso quebrado...!
O monstro da informação The New York Times em 18/04/1939 expos o seguinte: “A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso”. Preciso comentar?
Entendo completamente o debatido ponto de vista aqui apresentado, tendo em vista que apesar de crescente, o Desenvolvimento Sustentável ainda é muito discutido e pouco posto em prática, analisando as inúmeras conferências e fóruns realizados sobre o tema com os mais variados lideres políticos. Esse seria uma discussão política ou social? Será que o problema é este?
Acredito que o desenvolvimento sustentável já é uma prática recorrente que aos poucos começa a infiltrar-se nas novas teorias e ferramentas administrativas, pois começa a considerar a preocupação com o meio ambiente, como parte do rol de preocupações que a organização deve ter.
Tão importante quanto o lucro para a sustentabilidade financeira, mais ainda é o equilíbrio do ambiente onde a organização está inserida. Então, a mesma, passa a se perceber como peça importante do ecossistema social e ambiental ao qual estamos inseridos e passa a agir nele positivamente, colhendo os frutos pelo marketing verde e agregando valor aos produtos e serviços emanados desse novo paradigma organizacional e dentre outros benefícios. O desenvolvimento sustentável já é uma realidade, e em alguns cenários, anda distante da utopia a qual sonhávamos em meados de 1980.
Bem vindo à realidade!

Getulio Freitas
Estudante de Administração pela Universidade Federal do Ceará – UFC
Ambientalista, membro atuante da Associação Serrazul de Ibaretama

Colunista do portal Revista Central
As opiniões aqui expressas não necessariamente coincidem com a da Revista Central

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