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sábado, 17 de junho de 2017

Papo Reto: Tratado da servidão voluntária ibaretamense

Por João Vieira Picanço*

Colunista Dr. Picanço
Etienne de La Boétie em seu livro "Discurso Sobre a Servidão Voluntária" escreve:" É muito próprio do vulgo, mormente o que pulula nas cidades, desconfiar de quem o estima e ser ingênuo para com aqueles que o enganam. Atrair o pássaro com o apito ou o peixe com a isca do anzol é mais difícil que atrair o povo para a servidão, pois basta passar-lhes junto à boca um engodo insignificante. É espantoso como eles se deixam levar pelas cócegas. Os teatros, os jogos, as farsas, os espetáculos, as feras exóticas, as medalhas, os quadros e outras bugigangas eram para os povos antigos engodos da servidão, preço da liberdade, instrumentos da tirania.


Deste meio, desta prática, destes engodos se serviam os tiranos para manterem os antigos súditos sob o jugo. Os povos, assim ludibriados, achavam bonitos estes passatempos, divertiam-se com o vão prazer que lhes passava diante dos olhos e habituavam-se a servir com simplicidade igual, se bem que mais nociva, à das crianças que aprendem a ler atraídas pelas figuras coloridas dos livros iluminados." E fico que as palavras escritas a quase 500 anos continuam atuais na real e atual Ibaretama.

Como defender um povo que não quer ser defendido? Como dar ouvidos a lamúria desse povo que continua insistindo nas mesmas escolhas? Como defender a mulher que é espancada pelo marido que sofre e chora, mas jamais passa pela sua cabeça a hipótese de abandoná-lo? Como defender um povo que reclama que seus representantes políticos não prestam, mas sempre escolhe e coloca  os de baixo nível? Como defender um povo que entrega a sua liberdade voluntariamente? Chego a conclusão de que estou numa luta inglória. Chego a conclusão de que os servidores voluntários me mudarão ou eu os mudo. E não estou disposto a perder esse embate.

Meus princípios são fortes demais pra dar as costas e abandonar o campo de batalha. Ibaretamenses, lembrem-se que La Boétie também diz: " Até os bois sob o jugo andam gemendo. E na gaiola as aves vão chorando." Chega de gemer, chega de chorar. Façamos uma nova história em Ibaretama e em nossas vidas.

Pense! Reflita!

*João Vieira Picanço é Advogado, Presidente do Partido Democrático Trabalhista - PDT, Ex-parlamentar e milita na política ibaretamense há 19 anos. 


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Um comentário:

Vinícius disse...

Concordo plenamente. O povo adora pao e circo. Mas agora o pao acabou e o circo pegou fogo. Sera' que isso abrira' os olhos do povo?

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