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domingo, 26 de setembro de 2010

Opinião: Sem oposição não há democracia


Por Francisco Assis Machado Neto*
Há 18 anos vivi uma experiência enriquecedora como candidato, na época, a prefeito de Fortaleza. Mesmo sem o sabor da vitória, desejo de todo candidato, senti-me compensado por ter acumulado nos revezes da luta grande experiência de vida, um capital imensurável que ficará sempre ligado à minha pessoa.
Envolto na estafante agenda de uma campanha eleitoral, certo dia fui a uma reunião com professores universitários na casa de um deles, num ambiente confortável, descontraído, capaz de propiciar um debate franco. Eles queriam me conhecer, me ouvir, conhecer minhas ideias e meus planos para o governo. Creio que cumpri minha missão com êxito.
Depois de sabatinado, um deles me surpreendeu com extrema educação e sinceridade: “Assis, não me restaram dúvidas de que o seu preparo, as ideias e os planos que você nos apresenta superam os concorrentes. Mas nós não devemos votar em você”. E justificou seu ponto de vista argumentando que meu partido já exercia o poder nos âmbitos federal e estadual e não lhe parecia salutar que ocupasse também o poder municipal. Não seria bom para a democracia – sugeriu.
Ora, a democracia pressupõe a existência de oposição, com espaço político, competência e independência para exercer uma boa fiscalização das ações públicas e do debate em torno de projetos em prol da sociedade. Mas o poder executivo, pela sua natureza em face das leis existentes, dá muita força a seus agentes. Esses, juntamente com as assessorias que fogem aos limites de suas contribuições, formam um conjunto que fala e age em nome dos governos. Terminam resvalando para práticas ilegais e ações condenáveis, em proveito próprio ou grupal, desvirtuando assim o interesse público que deve prevalecer por ser o único legítimo.
Com a unanimidade e sem a fiscalização da oposição, essas práticas chegam a extrapolar o controle do próprio governo, gerando desvios de conduta e os escândalos administrativos contrários ao interesse público.
Por isso, todo dia temos que colocar os pés firmes no chão do dever, conscientes que o cargo público é transitório é tem por único objetivo servir ao povo que nos colocou lá pelo voto democrático.
E uma oposição respeitosa, consciente, comprometida com a seriedade é instrumento legítimo indispensável na defesa e sobrevivência da democracia. É que o exercício do poder precisa de limites, de freios para não transbordar desvios. E quem tem essa capacidade freá-lo é a oposição. Pensemos nisso.
Francisco Assis Machado Neto é empresário
Artigo publicado no jornal O Povo deste domingo

sábado, 25 de setembro de 2010

Nepotismo, apadrinhamento e o contraponto da cidadania.

CertaMente
Por Luis Gustavo Guerreiro Moreira*

A corrupção não é um fenômeno político recente, remonta ao período pré-cristão, mas precisamente aos anos 400 a.C., na Grécia. Nesse período, o filósofo Platão, cujo legado persiste até os dias atuais, procurava construir, do ponto de vista da política, a cidade ideal, paraíso dos cidadãos de Atenas e da Grécia. Para Platão, o mundo concreto, aquele que nos cerca, que é tangível pelos sentidos é uma pálida representação do mundo das idéias, ou seja, o nosso interior. Em outras palavras, o que vivemos e sentimos não é algo exterior a nós, mas resultado daquilo que pensamos.

O poder político constitui a essência da filosofia de Platão, que buscou desde cedo compreender as causas da corrupção dos homens no governo. Em sua obra clássica “A República” ele traçou os caminhos para construir a cidade ideal. Procurou levar até as últimas consequências a forma política ideal pela qual o Estado deve se proteger da corrupção, fruto das mazelas sociais. Em uma passagem polêmica, defende que o soberano não deveria possuir esposa, nem filhos ou parentes. Deveria ser totalmente dedicado a seus governados, como se fosse o pai de todos. Ao defender o soberano sem parentes, Platão constata que o apadrinhamento e o nepotismo são um câncer gerador de injustas políticas das cidades e fruto de sofrimento dos cidadãos. Mas se há tanto tempo esses problemas existem, seria possível superá-los?

A corrupção e incompetência dos governantes aliadas a uma cultura política autoritária, baseada em redes de proteção e interesses, práticas de clientelismo e caciquismo, violência política e, em muitos casos, a pistolagem têm convertido ou consolidado os municípios como espaços naturais de disputa profundamente antidemocráticos. Estes espaços são cooptados por grupos e redes de poder. As práticas de apadrinhamento e nepotismo são, a meu ver, a principal base de sustentação do problema.

A cultura de “defender os meus” não está circunscrita ao campo da política. É bastante recorrente que se recorra a esse tipo de expediente em todas as esferas da sociedade. Seja o parente do piloto de corrida, do cantor, do artista, do jornalista ou do político, há inúmeros exemplos que não caberiam neste espaço. A principal desculpa é de que o sucesso e a capacidade estão no sangue, no DNA, o que é absurdo. Tal comportamento não passa de tráfico de influência para perpetuação do poder. Imaginem quanto excelentes cantores, atletas, comunicadores, artistas e principalmente políticos não teríamos se o simples respeito ao princípio ético da impessoalidade fosse minimamente respeitado. Quantos talentos não foram perdidos em detrimento de favoritismos? E principalmente, quantos hospitais, escolas, postos de saúde, saneamento básico, praças, ruas, habitações populares, políticas sociais e de geração de emprego e renda perdemos devido ao nepotismo e apadrinhamento? Quanto deixamos de ganhar como sociedade?

Um desdobramento tenebroso disso é a inversão de papéis: o público torna-se privado. O emprego dos mecanismos de negociação da esfera privada na vida pública representa um obstáculo aos valores democráticos. A construção ideológica do sistema de parentesco como mecanismo regulador do âmbito privado pode ser empregada para estruturar as relações em uma arena pública incerta e hostil. Assim, quem passa a deter o poder e o perpetua através dessas costuras políticas, passa a acreditar piamente que é o dono da sociedade, da cidade e de tudo que é público. Passa a crer que está acima da lei. Sente-se no direito de cooptar lideranças e liderados para apoiar projetos pessoais de poder. Na maioria dos casos, as verbas que deveriam ir para a compra de equipamentos para as escolas, hospitais, postos de saúde, melhorias de saneamento básico, esporte, lazer, melhores salários para professores, médicos e servidores, terminam desviadas para fins escusos e sombrios.

A corrupção tem custos elevadíssimos ao Brasil. Segundo o Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), a corrupção custa entre R$ 41,5 e R$ 69,1 bilhões por ano. Ainda segundo o relatório, somente o custo para combater a corrupção representa entre 1,38% a 2,3% do Produto Interno Bruto brasileiro. Se esse dinheiro fosse investido em educação ampliaríamos de 34,5 milhões para 51 milhões o número de estudantes matriculados na rede pública do ensino fundamental em todo país, sem falar nas demais melhorias das condições de vida do povo brasileiro.

Tal situação é perdulária, sobretudo onde prevalece a miséria, o subdesenvolvimento, a ignorância e a alienação política. Um dos efeitos doentios da corrupção em sociedades pobres é a alienação dos indivíduos em relação à política, que tem raízes na pouca importância que é dada à discussão e exposição de idéias pela sociedade. Traduzindo para os dias de hoje, aquilo que Platão acreditava ser a única salvação da sociedade grega, a filosofia. Portanto, não há justiça social sem povo politicamente educado. Não há liberdade sem reivindicação política. O direito constitucional è liberdade de expressão, de opinião e de posicionamento político de nada valem se não são efetivados.

A falta de um marco jurídico de maior eficácia, que ofereça mecanismos de justiça e igualdade que garantam à participação dos cidadãos, a revogação do mandato, a transparência dos atos e das contas públicas torna difícil a superação dessa triste realidade. Como disse o grande educador Paulo Freire: a democracia demanda estruturas democratizantes e não estruturas inibidoras da presença participativa da sociedade civil no comando.

A política fechada, corrupta e autoritária, no entanto, não é óbice para a ação coletiva organizada. A própria mudança no plano legislativo é resultado da atividade organizada de grupos de pressão, que podem vir da sociedade civil, de partidos, de movimentos sociais, etc. Não se pode pensar em governabilidade democrática favorável ao desenvolvimento humano sustentável (sobretudo no âmbito municipal) a partir da visão de governo, Estado e sociedade como mundos separados ou campos opostos, onde não há interação entre os mesmos. Só é possível construir uma governabilidade democrática nos municípios, livre dos vícios do nepotismo e do apadrinhamento, a partir de uma sociedade fortalecida, politicamente educada e comprometida com seus próprios interesses. Como afirma o professor Chico de Oliveira, da USP: Precisamos nos multiplicar como atores que defendem esse campo político popular e democrático. Se nós não nos multiplicarmos, não teremos o peso para influirmos nas mudanças que é preciso ter. Platão diria que se cidade perfeita não existe fora de nós, podemos, no entanto, construí-la em nós mesmos, seguindo a política verdadeira no nosso íntimo. Mobilizemo-nos.


*Luis Gustavo Guerreiro Moreira, agora é colunista do Ibaretamanet.com, escritor, Bancário da Caixa Econômica Federal, Professor de Sociologia da Universidade Federal do Ceará, pesquisador do Observatório das Nacionalidades e da Associação Brasileira de Estudos de Defesa.







Imagem: piadavirtual.blogspot.com / divulgação

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Esquema: Documento mostra possível acordo entre cinco vereadores de Ibaretama

Por Jackson Perigoso
Ser da oposição custaria R$ 900,00 reais a menos ao parlamentar
A Revista Central teve acesso com exclusividade a um documento que mostra um suposto esquema realizado por cinco vereadores da cidade de Ibaretama, no Sertão Central cearense. O esquema visava dois objetivos, o principal era eleger o vereador hoje cassado pelos próprios integrantes do esquema, João Vieira Picanço e o segundo beneficiar financeiramente a base aliada ao prefeito municipal.
O acordo entre os parlamentares municipais foi realizado no dia 6 de novembro de 2008, antes mesmo de assumirem os mandatos, João Vieira Picanço, Francisco Oliveira Filho, Francisco Carliando de Almeida, Daniel Souza Lopes e José Maria Cunha(Bebé), de forma inconveniente esquematizaram quem deveriam comandar a Câmara Municipal de Ibaretama. Os cinco chegaram a uma conclusão de que o advogado Picanço chefiaria o bando nos anos de 2009 a 20010, nos anos subsequentes de mandato, Picanço, entregaria a presidência da casa a outro membro do acordo.
No suposto esquema, comprovado por meio de assinaturas que presumem-se ser dos integrantes, foi feito um acordo estranho na qual os quatros vereadores da base de situação ao prefeito Edson Moraes, receberiam R$ 900,00 reais a mais do que os quatro da base opositora. Pelo acordo, João Vieira Picanço, receberia R$ 6.100,00 (seis mil e cem reais), Francisco Oliveira Filho, Francisco Carliando de Almeida, Daniel Souza Lopes e José Maria Cunha(Bebé), cada um embolsaria R$ 3.600 (três mil e seiscentos reais), os opositores ficariam com a fatia individual de R$ 2.700 (dois mil e setecentos reais).
A estimativa das despesas mensais do ano 2009 conduzidos pelos cinco vereadores, havia também gasto com telefone e internet, porém, na câmara nunca foi instalados estes equipamentos. O que chama a atenção é a contratação de até um “mensageiro” que ganharia o valor de R$ 415,00 (quatrocentos e quinze reais), um salário mínimo na época. Picanço também se desfrutaria do conforto e teria direito além do seu salário mais  R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais) para queimar em combustíveis.
As aberrações continuam, bem abaixo da estimativa de despesas, há um termo de compromisso firmado entre os cinco envolvidos, registrados em um cartório da cidade. O termo diz: "Obs. Fica o Sr. João Vieira Picanço, na Responsabilidade de Repassar para os 04 Vereadores da Situação, a quantia de R$ 4.500,00 (QUATRO MIL E QUINHENTOS REAIS), Ficando acertado que o Sr. Daniel Souza Lopes, é quem vai endicar (sic) a pessoa que vai digitar e fazer as atas das Seções. Fica Acertado que o Sr. João Vieira Picanço, Vai Ser Presidente da câmara nos ano (sic) de 2.009 e 2.010, o mesmo vai apoia (sic) um dos 4 Vereadores para Presidente da Câmara nos anos de 2.011 e 2.012. Pelo que firmam o Presente Acordo assinaram as partes abaixo.", texto a comprovar ao lado. Este termo consta as supostas assinaturas dos legisladores citados.
A crise financeira da Câmara Municipal foi ao ápice, segundo Picanço, teve que cortar supostas assessorias ocultas, motivando um descontentamento dos vereadores que chegaram ao ponto de cassar o cargo de presidente da casa e recentemente de forma não condizente com os preceitos jurídicos cassaram o mandato de vereador. Francisco Oliveira era o vice-presidente, assumiu o cargo de presidente, colocando “Bebé” na vice e Daniel na secretaria.
Jackson Perigoso
Repórter da Revista Central

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Exclusivo: Escândalo em Ibaretama, Cassado pela Câmara Picanço começa a abrir a “Caixa Preta” que mostra possível esquema de propina.

Por
Redação

Escândalo protagonizado por Picanço pode envolver o Prefeito de Ibaretama Edson Moraes.





Destaque nas principais redes de rádios do Estado, o escândalo da Câmara de Ibaretama começa a ganhar corpo, no início quando o ex-vereador João Vieira Picanço falava da tão famosa “Caixa Preta” havia um descrédito por parte dos envolvidos nos atos de possível esquema de propina existente na Câmara Municipal de Ibaretama que deu a eleição ao Ex-Presidente hoje cassado João Vieira Picanço (PSB).

O Jornal Alerta Geral da rede Som Zoom Sat, trouxe hoje pela manhã uma matéria sobre o assunto, Picanço concedeu uma entrevista onde diz que foi cassado porque deixou de pagar duas assessorias por fora a cada vereador de situação que compõem a base do Governo do Prefeito Edson Moraes em Ibaretama. Segundo Picanço em entrevista ao Alerta Geral o Prefeito Edson sabia do acordo, a impossibilidade do pagamento se deu depois que o Prefeito diminuiu o repasse da Câmara de Ibaretama, daí para cá começou o festival de acusações e jogo de empurra-empurra da Câmara de Ibaretama.

A Revista Central trouxe com exclusividade várias entrevistas de Picanço onde o mesmo acusava a Câmara de Quadrilha e de tê-lo afastado justamente por esse problema financeiro. Hoje nossa equipe teve acesso com exclusividade a vários documentos comprometedores envolvendo vereadores de Ibaretama, o famoso acordo, tanto falado pelo ex-vereador Picanço e o vídeo que teria sido feito por Picanço.

As imagens contêm áudio e parece se tratar de uma reunião onde se discute a crise financeira instalada na Câmara Municipal de Ibaretama, quando o Prefeito enviou aquela casa Projeto de Lei reduzindo o repasse financeiro para o ano de 2010.

Pelas imagens se percebe que Picanço tenta convencer aos colegas que não dá mais para pagar as assessorias por fora como vinha fazendo, a todo tempo Picanço cita que o prefeito sabe da dificuldade e do acordo, em um dos trechos do vídeo Picanço pergunta se será cumprido com ele o acordo quando o mesmo deixar a presidência, nesse momento o vereador José Maria Cunha o Bebé aparece nas imagens dizendo que é conversando que se entende. (Mais detalhes do Vídeo em breve).

Na denúncia feita por Picanço na PROCAP – Procuradoria dos Crimes Contra a Administração Publica, Picanço disse ter sido convidado pelo Prefeito Municipal Francisco Edson de Moraes para uma reunião no Sítio do atual Prefeito que fica localizado na Lagoa Redonda, para acertar a Presidência da Câmara Municipal de Ibaretama. A reunião aconteceu no dia 06 de novembro de 2008, estando presentes os vereadores já eleitos para o atual pleito Francisco Oliveira Filho, Francisco Carliando de Almeida, Daniel Souza Lopes e José Maria Cunha.

O acordo foi documentado e teve firma reconhecida em Cartório, nossa equipe teve acesso à cópia deste documento e traz com exclusividade para os nossos leitores.

Clic na imagem para ampliar



Procuramos o ministério Público, o Promotor de Justiça que responde pela comarca vinculada de Ibaretama, Eduardo Tsunoda, disse que vai analisar toda a documentação e se houver elementos suficientes, o Ministério Publico, tomará as providencias necessárias.

Antes da publicação da matéria tentamos contato com os vereadores mais não o encontramos, o telefone da Prefeitura de Ibaretama também não atendeu as nossas ligações, a Revista Central ainda divulgará outras matérias com mais detalhes e o vídeo do escândalo que foi gravado por Picanço, é garantido aos envolvidos e citados na matéria, amplo direito de resposta.

Por Redação
Revista Central